Depois de ter registado, pela primeira vez, mais de 10 mil novos casos confirmados do novo coronavírus num único dia, no último fim de semana, a África do Sul ultrapassou as 3.310 mortes e tem pelo menos 206 mil contágios.

O aumento deve-se à propagação da Covid-19, nas últimas duas semanas, na província de Gauteng, nomeadamente em Joanesburgo e na capital, Pretória. A província conta com quase um terço do total de casos de contaminação pelo novo coronavírus na África do Sul.

O país continua a ser o mais afetado pelo novo coronavírus no continente africano, representando cerca de 40% de todos os casos em África.

A entrar no segundo mês do confinamento obrigatório de nível 3, a África do Sul está gradualmente a abrir a sua economia e alguns alunos já regressaram à escola. Na sua carta semanal, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, defendeu que é um grande desafio o equilíbrio entre as vidas humanas e a abertura da economia.

Sérgio Simbine trabalha no setor de mineração, que já retomou as atividades na África do Sul. "Estamos a trabalhar, mas antes de chegarmos ao trabalho diariamente, é preciso ser rastreado e entregar o seu número de controlo da companhia. Quanto ao controlo no próprio serviço, ainda não tivemos nenhum problema", afirmou.

Mas nem todos respeitam as medidas de prevenção. Thabo Masebe, porta-voz provincial de Gauteng, diz que o nível 3 de confinamento é frequentemente violado, com aglomerações e protestos em toda a província. Já se discute a possibilidade de voltar a impor um confinamento mais rígido na região - uma hipótese afastada por Ramaphosa. "Não estamos a considerar o regresso ao confinamento agora; estamos a usar o resto das ferramentas; o que temos de fazer é proteger as nossas vidas, mas também os meios de subsistência, e este é um equilíbrio delicado", explicou o Presidente, respondendo a especulações sobre o regresso ao confinamento domiciliário.

Consequências económicas

Voltar a paralisar o coração económico da África do Sul teria graves consequências económicas. O país prevê que a Covid-19, o isolamento e as medidas de distanciamento social empurrem a economia para uma recessão de 7,2%, o valor mais elevado dos últimos 100 anos.

A crise já se faz sentir na comunidade imigrante moçambicana, tendo inspirado recentemente um ato de caridade por parte da Comunidade Imaculada da Conceição, da Igreja Católica, que consistiu na distribuição de comida em Alexandra, subúrbio de Joanesburgo.

"Nós estamos num país que não é nosso. Então, vimos o nosso povo moçambicano a sofrer. Por ver que havia muito sofrimento, nós tivemos a iniciativa de ajudar", diz a moçambicana Ana Soares, que é voluntária daquela organização sul-africana.

"Agora como as coisas não estão boas e as nossas companhias estão fechadas, o pouco que temos, de província a província, vamos prestar a nossa ajuda aos moçambicanos que formos a notar que precisam de comida neste tempo", afirmou o moçambicano Samuel Chauque, também voluntário.

por: Milton Maluleque (Joanesburgo)

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