A Unidade Especial de Investigação da África do Sul (UEI) abriu inquérito que tem como alvo dezenas de funcionários governamentais e empresas responsáveis por encomendar e fornecer equipamento médico de proteção individual – itens que custaram milhões de dólares aos sul-africanos. Os órgãos investigativos suspeitam que foi criada uma estrutura de corrupção na realização dos concursos públicos para recursos de saúde.

Preços excessivos, produtos e serviços abaixo do padrão, e apresentação de propostas por parte de pessoas ligados ao Governo e ao partido governamental despertam a suspeita da UEI.

Entre os altos funcionários investigados encontra-se a porta-voz do Presidente Cyril Ramaphosa, Khusela Diko - cujo marido alegadamente ganhou um concurso no valor de 7 milhões de dólares.

Também estão na lista de investigados, o ministro Provincial da Saúde de Gauteng, Bandile Masuku, e a sua esposa. Eles foram afastados do cargo, colocados em "licença especial", por alegada corrupção relacionada ao concurso para a aquisição de itens de combate a COVID-19.

Exigência por responsabilização

Ao menos nove grupos da sociedade civil escreveram às autoridades sul-africanas exigindo que fossem tomadas medidas contra funcionários do Estado, empresas privadas e indivíduos que estão a desviar fundos de combate a pandemia na província de Gauteng.

Mais de um terço dos casos registados da COVID-19 estão em Gauteng. O centro financeiro da África do Sul tornou-se o epicentro do coronavírus.

"O nosso país teve de pedir dinheiro emprestado ao FMI para lidar com a crise. No entanto - para os implacáveis 'empreendedores da Covid', e para aqueles dentro do Estado e outras instituições que permitem a corrupção - esta é simplesmente uma oportunidade para aproveitar a situação", lê-se em uma declaração das organizações.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou 4,3 mil milhões de dólares em apoio de emergência à África do Sul para ajudar a lidar com a pandemia. O FMI salienta que o dinheiro ajudaria o país a lidar com a profunda recessão económica resultante do choque da COVID-19.

Para o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, "é inconcebível que haja pessoas que possam estar a utilizar a crise sanitária para enriquecer ilegalmente". Segundo o Governo sul-africano, os hospitais operam no limite, mas a maioria das províncias estão a conseguir oferecer tratamento à COVID-19 a seus pacientes. Ramaphosa disse que o Governo está a trabalhar com "a maior urgência" para fornecer adequadamente equipamento de proteção pessoal às regiões onde têm sido relatadas faltas.

Perto do pico?

A África do Sul encontra-se agora nos cinco países com a mais alta taxa de infeções por COVID-19 no mundo. Mas nem tudo é desgraça. Cerca de 350 mil pessoas recuperaram-se do coronavírus. E as mais de 8 mil mortes são ainda mínimas em comparação com o número de infeções.

O número de infeções por COVID-19 na África do Sul está a aumentar a uma velocidade alarmante. O país mais afetado do continente contabiliza mais 500 mil infetados e 8.366 óbitos.

Esses números em rápido crescimento foram há muito previstos pelos investigadores, que observam faltar mais de quatro semanas até o período de pico da doença.

"Pensamos que o pico da doença pode atingir o seu auge no final de agosto e início de setembro. Certamente vai para o quarto trimestre. Por isso, esperamos níveis crescentes de infeção e, claro, de mortes ao longo de todo o ano", avalia o especialista Martin Kingston, da Business for South Africa.

Até à data, foram realizados mais de 3 milhões de testes. As províncias mais afetadas Gauteng e Western Cape começaram a transformar locais de exposição e centros convencionais em hospitais de emergência.

por: Fred Muvunyi , Thuso Khumalo

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