O coronel Jean de Dieu Mambweni foi agora detido depois de uma nova audição relativa às mortes do norte-americano Michael Sharp e da sueca Zaida Catalan, em Março de 2017, na capital da província do Kasai Central, Kananga.

Jean de Dieu Mambweni afirmou, numa primeira fase, ter-se reunido duas vezes com os especialistas, em Janeiro, e uma terceira vez, em 09 de Março.

Uma nova gravação apresentada durante a sessão, é possível ouvir-se uma voz a dizer a data de 10 de Março durante uma oração num jantar partilhado com Sharp e Catalan.

"Toma este número, é do senhor Betu [intérprete que acompanhou Sharp e Catalan]. Posso informá-lo?", diz, na gravação, uma voz que Mambweni confirmou ser a sua.

De acordo com a televisão estatal sueca, a SVT, a gravação aponta ainda que Mambweni contactou uma pessoa não identificada que atraiu os especialistas para o local onde morreram.

O coronel insistiu que não tinha informações a esconder e que não conseguia lembrar-se.

"A [milícia] Kamuina Nsapu está a espalhar-se a uma velocidade alucinante. Estamos consumidos pelo volume de trabalho", sublinhou o responsável militar.

Numa fase inicial, as autoridades congolesas e da ONU atribuíram o duplo assassinato à milícia político-religiosa Kamuina Nsapu, uma tese que tem sido contestada por um grupo de especialistas das Nações Unidas e por uma investigação da Rádio France Internationale (RFI), que evoca um trilho de emboscada com o envolvimento de membros da segurança do Estado.

No final de novembro, uma investigação conjunta de meios de comunicação internacionais apontou que as Nações Unidas terão ocultado provas sobre o caso.

Os dois peritos desapareceram, juntamente com o seu intérprete congolês e três motoristas, em 12 de Março do ano passado, quando investigavam abusos dos direitos humanos.

Em 27 de Março, o Governo congolês comunicou terem sido encontrados três corpos, incluindo os de um homem e de uma mulher caucasianos, confirmando a morte dos "dois especialistas".

Os alegados homicidas começaram a ser julgados pela justiça militar no Kasai a partir de 05 de Junho de 2017, tendo a última sessão ocorrido em outubro do mesmo ano.

Segundo a investigação, que contou também com a estação de rádio estatal da Suécia, a Sveriges Radio, a morte dos funcionários da ONU pretendia evitar que várias valas comuns fossem encontradas na área e o "consequente encobrimento" para manter as relações entre a RDCongo e as Nações Unidas.

A missão da ONU na RDCongo (MONUSCO) conta com cerca de 17 mil soldados da paz e um orçamento anual de 1,1 mil milhões de dólares (cerca de 900 milhões de euros) e é uma das maiores missões de paz da ONU no mundo.

O Conselho de Segurança renovou o mandato da MONUSCO em Março por mais um ano, com a prioridade de proteger os civis e apoiar as eleições marcadas para 23 de dezembro.

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