O novo coronavírus já infectou milhares de pessoas em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os sintomas da doença causada pelo vírus, covid-19, são parecidos aos de uma gripe comum: febre, tosse, falta de ar e dificuldade para respirar. Em casos mais graves, a infecção pode causar pneumonia, síndrome respiratória aguda grave, insuficiência renal e até morte.

Um estudo recente com quase 140 pacientes no Hospital Zhongnan da Universidade de Wuhan, epicentro do surto, identificou um padrão típico dos sintomas associados com o vírus.

Febre alta foi o principal sintoma, em 99% dos casos, enquanto mais da metade dos pacientes apresentou cansaço e uma tosse seca. Um terço deles também sentiu dor muscular e dificuldade para respirar. Uma minoria teve diarreia e náusea um ou dois dias antes de apresentar esses sintomas.

Segundo o Centro Chinês para Controle e Prevenção de Doenças, 80% dos casos do novo coronavírus são brandos. Cerca de 15% dos pacientes apresentam o caso severo da doença, e apenas 5% ficam gravemente doentes.

A taxa de mortalidade (em torno de 2,1%) é mais alta do que a da gripe (0,1%), porém mais baixa se comparada a de outras doenças, algumas delas existentes no Brasil, como a febre amarela, por exemplo (30%).

Pacientes idosos e com doenças pré-existentes, como diabetes ou câncer, têm risco mais elevado de apresentarem os sintomas mais graves da doença.

Mas o que dizem aqueles que foram infectados pelo novo vírus e conseguiram se recuperar da doença? Quais foram os sintomas que sentiram? E quanto tempo durou sua recuperação?

Poucos querem falar sobre sua experiência abertamente, por causa da discriminação e o estigma que temem enfrentar. No entanto, já houve que quebrasse o silêncio. Confira abaixo três relatos.

Julia
Julie, de Cingapura, não deu muita atenção aos primeiros sintomas da doença créditos: BBC

Julie Cingapura

Julie, de Cingapura, onde mais de cem casos do novo coronavírus já foram registrados, não deu muita atenção aos primeiros sintomas da doença.

“No dia 3 de fevereiro, tive febre. 38,2°C; 38,5°C. Tomei dois Panadol (remédio à base de paracetamol), e fiquei bem. Só me senti um pouco cansada e me lembro de ter dormido durante todo o dia”, relembrou ela à BBC.

“Depois disso, a febre passou e, no restante da semana, estava bem. Não tive nada, nem uma fungada ou uma tosse. Porém, no dia 7 de fevereiro, bem de madrugada, por volta das 3h, acordei e meu quarto estava girando”, acrescentou.

No dia seguinte, Julia foi diagnosticada com Covid-19. Ela foi isolada em um quarto de hospital.

“Quando atravessava o estágio crítico da doença, uma das coisas que mais senti foi dificuldade para respirar. Parecia que meus pulmões estavam trabalhando mais, realmente fazendo um esforço. Não é como um dia normal, em que não temos consciência sobre como respiramos. Era tão trabalhoso ir da minha cama até o banheiro, que ficava a cinco metros de distância. Caminhar até o banheiro era um desafio”, disse.

“Não estou a par do impacto de longo prazo dessa doença. O que sei é que não posso caminhar por muito tempo, pois perco o fôlego. E sinto a necessidade de sentar. E isso nunca tinha acontecido comigo”, acrescentou.

Carl Goldman EUA

Os efeitos do coronavírus em Goldman foram “fortes e rápidos”. Ele foi um dos passageiros do cruzeiro Diamond Princess, que navegava pelo litoral do Japão, a contrair a doença.

Em entrevista à rede de TV americana ABC News, ele disse que uma pessoa pode “permanecer dias sentindo-se bem antes dos sintomas aparecerem”.

“Ou seja, podemos expor várias pessoas ao vírus sem saber”, destacou.

Goldman lembrou que teve “um pouco de tosse, mas achei que se tratava do ar seco na cabine. Então, adormeci e quando acordei, sabia que estava com febre alta. Minha mulher me tocou e viu que eu estava ardendo. Procurei os médicos militares, eles tiraram minha temperatura e imediatamente me transferiram para a zona de quarentena”.

“A boa notícia é que minha febre cedeu quando eu fui internado. Tive pouca febre, uma febre moderada no primeiro dia. E então ela desapareceu”, acrescentou.

Kim Seung-hwan Coreia do Sul

Escola em Taiwan
Escolas, como esta de Taiwan, adotaram medidas como uso de máscaras créditos: EPA

“Eu ainda não acho que contrai coronavírus”, lembrou Kim Seung-hwan ao jornal americano The Washington Post. “Só vi que era notícia na China, e eu não tinha viajado para fora da Coreia do Sul”.

Eram meados de fevereiro, antes de focos de infecção por coronavírus serem registrados ao redor de sua cidade-natal, Yeongcheon, localizada 300 quilômetros a sudeste da capital, Seul. A região se tornaria rapidamente o epicentro do surto no país.

De início, o proprietário de restaurantes de 47 anos achou que estava apenas cansado do trabalho. Os médicos lhe prescreveram remédio para resfriado. Mas sua dor de cabeça piorou. E ele começou a ter febre.

Como seus sintomas não melhorassem, Kim procurou um hospital maior, na cidade vizinha de Daegu, no dia 18 de fevereiro. Naquele momento, casos de coronavírus começaram a aparecer nas proximidades. Horas antes de Kim chegar ao hospital, o primeiro caso do vírus foi confirmado.

No hospital, Kim começou a apresentar sintomas parecidos aos de uma pneumonia. Ele foi posto em quarentena em uma câmera de pressão negativa que evita a saída do ar. Os médicos colheram amostras de seu nariz e de sua boca. Os testes para covid-19 confirmaram que ele tinha o vírus.

“A única coisa que conseguia ouvir era o barulho do aparelho de ventilação mecânica (respiração artificial)”, disse Kim.

Ele não tinha certeza se sua dor de cabeça era um sintoma do vírus ou de preocupações com o impacto de sua possível infecção sobre sua família ou seu restaurante.

Ao The Washington Post, Kim disse que não dormiu várias noites a fio.

“Estava muito cansado, mas não consegui adormecer por causa das dores que sentia em todo o meu corpo”, lembrou.

Kim também sentia muito calor na cama.

Era um tipo de calor desagradável — diferente da sensação após fazer exercícios intensos, relembrou ele. A febre induzida pelo coronavírus era “dolorosamente quente”, assinalou. Sua temperatura passou de 37,7°C.

Os médicos do hospital receitaram antibióticos, outros medicamentos e fluidos intravenosos.

Quatro dias após o tratamento, em 21 de fevereiro, os médicos disseram que seus pulmões haviam retornado ao normal. Os sintomas começaram a recuar, a febre dele cedeu e sua cabeça parou de doer.

Na semana passada, o estado de saúde de Kim melhorou substancialmente. Ele passou a andar pela enfermaria e a fazer exercícios leves.

Kim recebeu diagnóstico negativo para o vírus em 24 de fevereiro e novamente no dia seguinte. Na quarta-feira, oito dias após o diagnóstico, ele foi liberado do hospital.

“Fiquei tão aliviado”, disse ele, “tão feliz por estar de volta cercado por minha família”.

Kim agora está em uma quarentena de 14 dias. Ele está dentro do quarto e não pode jantar com sua esposa nem com sua filha.

“Os médicos me disseram que posso voltar à minha vida diária, mas o medo de reinfecção ainda persiste”, disse ele.

“Lidar com o vírus foi como um pesadelo”, acrescentou ele. “Mas, olhando para trás, percebo que fui um dos felizardos por ter recebido tratamento adequado.”


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