Com cada vez mais casos confirmados do novo coronavírus – cerca de 6 mil, segundo as autoridades chinesas – o medo da contaminação está a aumentar em todo o mundo.

O mais recente balanço dá conta de 132 mortos, todos na China. Há registos, porém, de infeções em vários países, incluindo uma dezena na Ásia. Nos Estados Unidos, na Austrália e em França também foram verificados casos. Na Alemanha, o número subiu para quatro.

No continente africano, ainda não há infeções confirmadas, mas aumentam as medidas de controlo e prevenção, sobretudo nos aeroportos. Moçambique suspendeu a emissão de vistos para a China devido ao alastrar do coronavírus.

Na Costa do Marfim, Etiópia e Quénia, as autoridades relataram casos suspeitos nos últimos dias. O diretor do Centro Africano para o Controlo e Prevenção de Doenças, John Nkegasonso, considera que pode ser apenas uma questão de tempo até se confirmarem as primeiras infecções.

"É bem possível que haja casos no continente que não tenham sido reconhecidos. Temos de admitir que não podemos ter tanta sorte que até agora não haja casos em África, quando já há em todo o mundo", acredita Nkegasonso.

Todos os recursos disponíveis

Em conferência de imprensa, em Addis Abeba, o diretor do Centro Africano para o Controlo e Prevenção de Doenças anunciou que foi acionado o Centro de Operações de Emergência, uma estrutura de gestão da epidemia no continente africano. Nkegasonso anunciou que o centro intensificará a vigilância nos aeroportos, o apoio aos laboratórios e o tratamento de pacientes no continente.

"Incluímos vários Estados-membros da União Africana através dos seus institutos de saúde pública - o equivalente aos centros de controlo e prevenção de doenças - para criar uma rede de coordenação de esforços", explica o diretor.

A experiência com a epidemia do ebola - que entre 2014 e 2016 matou mais de 10 mil pessoas na África Ocidental - está a revelar-se útil a alguns países, como a Costa do Marfim. O diretor do Instituto de Higiene Pública de Abidjan, Joseph Benié Bi Vroh, acredita que o país está preparado para enfrentar o coronavírus.

"Activámos o mesmo sistema de alerta precoce. Temos câmaras térmicas, que controlam todos os passageiros no aeroporto. É assim que vemos se têm febre."

OMS não declarou emergência

A Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda não declarou uma emergência internacional, mas vários governos começaram a retirar os seus cidadãos da região de crise em torno da cidade de Wuhan, o epicentro da epidemia.

Nesta quarta-feira e sexta-feira, a União Europeia vai enviar dois aviões para repatriar 250 franceses e outros 100 cidadãos europeus que solicitem sair de Wuhuan. A cidade chinesa está em quarentena e isolada do mundo desde a passada quinta-feira.

A situação é particularmente grave para quase 5 mil africanos que estudam na cidade e que não têm grandes esperanças de regressar a casa em breve. Queixam-se de falta de apoio das embaixadas e dizem sentir-se numa prisão.

A estudante guineense Jéssica Mendes Silva pede ajuda para deixar Wuhuan, mesmo que seja para deslocar-se a outra cidade da China. "Só queremos sair daqui. Nem dá para receber comida. Não há comida, para comprar é difícil. Há uma semana, o meu país não consegue mandar dinheiro porque os bancos estão fechados. Estamos aflitos", explica.

Em resposta a queixas semelhantes de estudantes angolanos na China, a Embaixada de Angola no país emitiu um comunicado informando que está em contato permanente com os cerca de 50 estudantes residentes em Wuhan. Devido à quarentena decretada, no entanto, afirma que não existe "nenhuma forma para a canalização de ajudas particulares àquela região da China e nenhuma das embaixadas conseguiu fazê-lo”.

Cerca de 13 estudantes cabo-verdianos na cidade poderão ter oportunidade de regressar em breve ao seu país, segundo o diretor do Serviço de Vigilância e Resposta às Epidemias de Cabo Verde. Domingos Teixeira disse que o país pretende contar com apoio de Portugal para retirar os seus cidadãos de Wuhan e já está a ser desenvolvido um plano para o efeito.

por: Jan-Philipp Wilhelm, Nafissa Amadou, Nádia Issufo, AFP, Agência Lusa, mjp

 

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