Na Coreia do Sul a vida começava progressivamente a voltar à normalidade, mas no ultimo fim de semana o governo decretou o encerramento de alguns lugares públicos de Seul, da província vizinha de Gyeonggi e da cidade de Incheon, pois as autoridades temem uma segunda vaga da pandemia de COVID-19 no país.

Nesta segunda-feira, a Coreia do Sul registou 35 novos casos positivos de COVID-19, aumentando o número de pessoas positivas ao novo coronavíris SARS-CoV2 para 10.909, segundo os centros sul-coreanos de controlo e prevenção de doenças.

Há 12 dias, o paí­s registava poucos casos, mas a situação evoluiu neste fim de semana e esta segunda-feira são cerca de 2.000 pessoas que poderão ter sido contaminadas por um paciente de 29 anos, testado positivo, após ter frequentado no início de maio pelo menos cinco bares ou discotecas em Itaewon, um dos bairros mais animados da vida noturna de Seul, escreveu num tweet o edil de Seul, Park Won-soon.

O problema é que este bairro é muito frequentado pelo comunidade homosexual, o que desde logo suscitou comentários de cariz homófobo, nas redes sociais e na imprensa, o que vai dificultar a identificação de novos casos, num país onde a homosexualidade é estigmatisada.

O primeiro-ministro Chung Sye-kyun afirma que o objectivo agora é identificar os milhares de pessoas que frequentaram esses estabelecimentos, para que as autoridades possam encontrar e isolar os contaminados, mas este fim de semana apenas 637 pessoas manifestaram sintomas e foram testadas, o equivalente a um terço.

Esta situação gera uma reviravolta na Coreia do Sul, onde o regresso progressivo à normalidade tinha começado, depois de uma gestão considerada “exemplar” da pandemia.

Coreia do Sul elogiada pelo método utilisado na prevenção da pandemia de COVID-19

Em Fevereiro, o país chegou a ser o segundo mais afetado pelo novo cornavírus a seguir à China, mas as autoridades sanitárias adoptaram uma estratégia considerada exemplar, sem colocar toda a população em quarentena, como o fizeram vários paí­ses.

O método sul-coreano consistiu em detetar os possí­veis infetados e isolá-los, submetendo-os a testes e tratamento em caso deterem sido contaminados, método que aliado à responsabilidade da população nas medidas de distanciamento social e protecção, bem como ao uso da tecnologia, como drones e outros, foi alvo de elogios.

Estas medidas, estritamente respeitadas pela população, limitaram o número de mortos de COVID-19 a 256 pessoas, num país de 50 milhões de habitantes e permitiram mesmo a realização de eleições legislativas, sem que o número de casos tivesse aumentado.

Na última quarta-feira, o governo chegou a anunciar o relaxamento de algumas medidas impostas em março para conter a propagação da pandemia: locais públicos como museus e galerias reabriram e recomeçaram mesmo os campeonatos de futebol e basebol, apesar de à porta fechada e sem publico presencial.

Reabertura das escolas adiada?

As escolas deveriam reabrir esta quarta-feira, mas as autoridades ainda não anunciaram se o aumento das contaminações pode comprometer o regresso progressivo à normalidade.

A exemplo do que acontece na França e noutros países europeus, mães e pais de alunos estão preocupados com a situação e numa petição online publicada no site da presidência sul-coreana, 150 mil pessoas pedem um adiamento do início das aulas.

O novo foco da pandemia na capital Seul, não ajuda a acalmar os ânimos e por precaução o autarca de Sul pede o adiamento duma semana para a reabertura das escolas.

O ministério sul-coreano da educação deve pronunciar-se oficialmente sobre este adimanto esta terça-feira mas, ao que tudo indica, as atividades escolares devem provavelmente ser adiadas com o aumento das contaminações no país.

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