“Acho importante que se tire as ilações desta crise gerada pela COVID-19. Apostar no digital, porque reside aí muitas oportunidades para os jovens”, disse Fidel Cardoso de Pina, para quem se deve levar em conta a contribuição online dos jovens de todo o país e também da diáspora.

Este líder da Juventude do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (JPAI) citou ainda o caso de Portugal, onde se criou uma equipa, um grupo de expert extra governo para dialogar com os actores sociais, todos os sectores das academias, as lideranças locais e comunitárias, para apresentar propostas ao governo para que este análise e as apresente ao Parlamento.

“Nós sabemos que só com soluções do passado não se consegue enfrentar e debelar as crises”, disse, chamando atenção para a “situação complicada” que tem a ver com o regresso de jovens “em massa” para as outras ilhas, o que, defende, traz um conjunto de problemas, não só em matéria socioeconómica, mas também em matéria psicológica.

Cardoso de Pina falou ainda na necessidade de haver um conjunto de medidas para “recuperar a dinâmica” porque, disse, a família e a juventude têm um papel fundamental nos próximos tempos.

Por seu turno, Euclides Silva frisou que o país “não estava preparado” para a Covid-19, destacando “o trabalho extraordinário em tempo record” feito pelo Governo, mas também pela sociedade civil e pelas câmaras municipais com inúmeras medidas tomadas com impacto directo nas pessoas.

“Cabo Verde é um dos poucos países africanos que tomou medidas com vista a garantir o rendimento das pessoas no período de estado de emergência e isso foi também elogiado por figuras internacionais com a competência na matéria”, pontuou.

Para este líder da Juventude do Movimento para a Democracia (JPD), o País tem que se adaptar aos novos tempos.

“Por exemplo, jovens prestadores de serviços, consultores, informáticos agora têm oportunidades criadas pelo teletrabalho”, acrescentou Euclides Silva, para quem a formalização do sector informal é “muito importante” e um passo que o País tem que dar.

Por sua vez, Rony Moreira frisou que o Cabo Verde é um país “com vulnerabilidades, muitos problemas e com um conjunto de coisas para resolver”.

“A pandemia nos colocou em prova, acredito que a maioria das pessoas acredita que sairemos bem. Conseguimos resolver coisas mais graves. O Sistema de saúde não rompeu, não houve desordens grandes, muito embora haja muitas queixas e multas, mas precisamos de repensar um conjunto de aspectos relacionados com a sociedade, desde a educação, responsabilidade individual, dever cívico”, defendeu.

Para este sociólogo, é preciso que os governantes ou elites repensem o país, pelo que defende que esta situação de pandemia é um “bom momento” de se recomeçar com um novo vigor e uma nova orientação.

“Não é preciso houver consensos em todas as áreas, mas há áreas em que precisamos de consensos. Precisamos de resolver a questão dos salários de alguns profissionais, como o pessoal da saúde e polícia e repensar o papel de estruturas como as Forças Armadas, Polícia e Protecção Civil”, finalizou.

O “Entre-Vistas” é um quadro de debate promovido pela Agência Cabo-verdiana de Notícias – Inforpress e transmitida em live na sua página da rede social Facebook. Esta edição contou com a moderação do jornalista Geremias S. Furtado.

GSF/JMV

Inforpress/Fim

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