Por isso, a CE-CPLP quer que as suas conferências anuais passem a bianuais, decorrendo à margem das cimeiras de chefes de Estado e de Governo da CPLP, adiantou.

Este assunto será debatido com os responsáveis políticos presentes na conferência deste ano no Porto, "para que a próxima conferência decorra já no próximo ano à margem da cimeira de chefes de Estado da CPLP", em Luanda, afirmou em declarações à Lusa, o presidente da confederação, o empresário moçambicano Salimo Abdula.

A conferência "tem como grande objetivo estabelecer uma nova metodologia de trabalho, e é o diálogo público e privado" o centro das atenções, uma vez que os chefes de Estado e de Governo dos países membros da CPLP adotaram também este quarto pilar, económico e empresarial, disse.

"No próximo ano, com a passagem da presidência política da CPLP de Cabo Verde para Angola, pretendemos que estas conferências passem a ser à margem das cimeiras de Chefes de Estado. E então entrarão, num outro ciclo, de dois em dois anos, que é o ciclo dos mandatos que cada país tem para a presidência da CPLP", disse.

Nos dois anos que medeiam cada conferência passará a haver só conferências temáticas, adiantou.

Para Salimo Abdula, a "grande importância" da conferência do mercado da CPLP passar a decorrer à margem das cimeiras de chefes de Estado é que "as grandes propostas que vêm do setor empresarial tenham mais cunho na presença de quem decide a política dos Estados, de forma a acelerar o processo daquilo que são as propostas do setor empresarial".

Por outro lado, é também uma forma de se "otimizar" as conferências, avaliando "sensibilidades" políticas, porque se os responsáveis políticos "não estiverem mais sensibilizados e não forem parte ativa do diálogo, o processo fica mais esvaziado e leva mais tempo a conseguir", afirmou.

A primeira conferência da confederação empresarial da CPLP, que juntou lideranças políticas e empresariais, ocorreu no ano passado em Maputo.

Desta conferência saiu um conjunto de propostas, que a confederação empresarial, na qualidade de órgão consultivo da CPLP, apresentou à organização.

Entre estas, encontravam-se a da mobilidade entre os Estados-membros, a da criação de um tribunal de arbitragem, para dirimir conflitos empresariais, e a da dupla tributação.

O empresário considerou que todas "já reúnem o consenso político dos Estados-membros para avançar", mas é preciso agora concretizar.

Salimo Abdula acredita que na próxima cimeira de chefes de Estado da CPLP, em Angola, se "adote a livre circulação de pessoas", que é uma primeira fase de um processo que os empresários gostariam que fosse mais longe e atingisse a livre circulação de bens e capitais, mas já será um passo importante, considerou.

A conferência deste ano decorre no âmbito das comemorações dos 15 anos da CE-CPLP, e tem como missão abordar temas como a caracterização do mercado e a criação de grupos de trabalho para: Mobilidade, Emigração e Diáspora, Coordenação e Ligação entre os Tribunais Arbitrais e a CPLP, Manual de Ética e de Compliance das Empresas bem como Energias Renováveis na CPLP.

Segundo Salimo Abdula, a conferência conta entre outros responsáveis políticos, com a presença do secretário executivo da CPLP, o embaixador Francisco Ribeiro Telles, dos embaixadores dos nove Estados-membros da organização, do presidente da Assembleia Nacional de Cabo Verde, Jorge Santos, e do Ministro do Comércio e Indústria de Angola, Joffre Van-Dúnem Júnior.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

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