Devido à ofensiva da Turquia, o Conselho de Segurança reúne-se esta quinta-feira para debater a situação. A reunião foi convocada pela Alemanha, França, Reino Unido, Bélgica e Polónia, os cinco países europeus atualmente representados no Conselho de Segurança.

A União Europeia (UE) exortou a Turquia a parar o ataque na Síria. Entretanto, soldados turcos continuaram a atravessar a fronteira síria durante a noite. Da mesma forma, as forças de segurança seguiram com bombardeamentos aéreos sobre alvos sírios.

Ancara diz que os ataques fazem parte da sua "Operação Primavera da Paz" contra os curdos. Aliados da Turquia condenam os ataques, advertindo que a ofensiva pode desestabilizar a região. As forças armadas turcas dizem que os ataques não visam áreas civis. Apesar das garantias, muitos moradores fugiram das suas casas à procura de uma zona segura.

No entanto, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos e as Força da Síria Democrática, liderada por curdos, alertaram que as tropas da Turquia estão a atacar alvos civis. Dos 15 mortos, até à noite de quarta-feira (09.10), pelo menos oito eram civis.

O ataque foi anunciado pelo Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, através de uma publicação na sua página no Twitter. Erdogan disse que suas forças armadas pretendem "neutralizar as ameaças terroristas contra a Turquia e criar uma zona segura, permitindo o retorno de refugiados sírios para as suas casas".

Saída dos EUA deixa norte da Síria desprotegido

O pontapé para este conflito foi o anúncio do Presidente norte-americano, Donald Trump, no domingo, de que as tropas dos Estados Unidos iam abandonar o norte da Síria, na fronteira com a Turquia. Nessa região, os Estados Unidos lutavam há anos junto com os curdos contra o Estado Islâmico.

Porém, com a retirada das tropas, Ancara diz que a zona ficou desprotegida. "Para a Turquia, as milícias em questão, as Unidades de Proteção Curdas, são consideradas uma ramificação do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que a Turquia considera ser uma organização terrorista. O PKK está a travar uma guerra de guerrilha armada há mais de 30 anos. Portanto, para a Turquia, a versão oficial é que as milícias são fruto de uma organização terrorista e, portanto, a sua instalação ao longo da fronteira entre a Turquia e a Síria é uma ameaça à segurança nacional", explica em entrevista à DW o cientista político turco Ahmet Insel.

Um porta-voz curdo pediu à comunidade internacional que pressionasse a Turquia a suspender o ataque, afirmando que as forças democráticas sírias seriam forçadas a interromper o seu campo de batalha contra o Estado Islâmico para lidar com a ameaça turca.

Muitos aliados da Turquia também alertaram que os ataques poderiam reacender a guerra civil na Síria. "É importante evitar ações que possam desestabilizar ainda mais a região, aumentar as tensões e causar mais sofrimento humano. Não devemos comprometer os ganhos que fizemos juntos contra o Estado Islâmico", alertou o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.

O Presidente Donald Trump ameaçou impor sanções económicas contra a Turquia caso o país siga com os ataques.

por: tms, com agências, Sandrine Blanchard

 

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