Ecos da independência

Milhões de vidas: Em 15 de janeiro de 1970, a guerra civil na Nigéria finalmente terminou. O conflito também foi travado com a arma da fome e abalou o mundo. Na época, muitos alemães se manifestaram contra a Guerra do Biafra. Porém, meio século depois, os apelos pela independência da região estão a ficar mais visíveis novamente. - Getty Images/AFP

Guerra às custas dos mais fracos

Os membros da etnia igbo, que na Nigéria são predominantemente cristãos, proclamaram a independência da República do Biafra, em 30 de maio de 1967. As quase 14 milhões de pessoas que viviam na região celebraram a criação de um novo Estado. Um ano depois, porém, iniciou-se a primeira guerra na Nigéria desde a descolonização começou. O nome Biafra logo se tornou sinónimo de miséria, fome e morte. - picture-alliance/Leemage/MP/Lazzero

Agravamento da crise humanitária

Quando as tropas nigerianas tomaram a cidade de Port Harcourt, em maio de 1968, a população do Biafra perdeu o acesso ao mar. A partir daquele momento, as pessoas que estavam em meio ao conflito passaram a depender de suprimentos jogados via aérea. Isso foi uma clara vitória para o Exército nigeriano. O efetivo liderado pelo general Ojuku era inferior e menos treinado. - picture-alliance/United Archives/TopFoto

Os “bebés de Biafra”

As tropas nigerianas iniciaram um cerco à região, no qual tentaram matar de fome os separatistas. Os chamados "bebés de Biafra" ficaram conhecidos em todo o mundo. A catástrofe humanitária gerou um movimento de solidariedade sem precedentes. Dezenas de milhares de crianças e idosos morreram no verão de 1968. - Gemeinfrei

O protesto pelas pessoas necessitadas

A guerra civil no Biafra mobilizou o público na Alemanha como nenhum outro evento africano. Em agosto de 1968, estudantes alemães e da região realizaram uma marcha de cinco dias até a então capital da Alemanha Ocidental, Bonn. Eles exigiram que Biafra fosse reconhecido como Estado soberano. A bandeira com o sol nascente tornou-se a bandeira nacional da Biafra. - picture-alliance/dpa/A. Hennig

Apoio das celebridades

"Como alemães, devemos saber o que estamos dizendo quando usamos a palavra genocídio, porque o silêncio torna alguém cúmplice". O autor Günter Grass foi provavelmente o orador mais proeminente em um comício realizado em Hamburgo, em 1968, contra a Guerra no Biafra. Sua mensagem difundiu-se pela Alemanha. Na década de 1960, as pessoas já lidavam com o passado duro da Segunda Guerra Mundial. - picture-alliance/AP Photo/ESH

“Fome por justiça”

Na Alemanha, autoridades religiosa e políticas e milhares de cidadãos participaram do da Dia da Igreja Evangélica que, em 1968, também concentrou-se na crise no Biafra. Recursos financeiros e mantimentos foram arrecadados e enviados para a região devastada pela guerra. - picture-alliance/dpa/F. Reiss

"Sociedade para os Povos Ameaçados"

Em Hamburgo, os alunos Klaus Guerke e Tilman Zülch (foto acima) criaram o "Komitee Aktion Biafra-Hilfe". A organização recebeu o apoio de diversas personalidades, como o prefeito de Berlim, Heinrich Albertz; os escritores Günter Grass e Luise Rinser, e o bispo de Munique Heinrich Tenhumberg. O comité cresceu e tornou-se uma ONG internacional, a "Sociedade para os Povos Ameaçados". - picture-alliance/dpa/M. Schutt

Uma guerra para além do pensamento racional

O historiador Golo Mann elogiou aqueles que auxiliaram Biafra, embora seus comentários não sejam compreendidos: "Uma guerra na qual os imperialistas britânicos e os comunistas russos se unem na mesma corda do crime, na qual uma antiga colónia luta pela suposta unidade de seu Estado contra uma tribo que nem sequer é socialista é bastante desinteressante... Toda teoria é de fato prejudicial"! - picture-alliance/Keystone/Röhnert

"Biafra – milhões morreram"

Em Londres, os manifestantes marcharam da antiga embaixada soviética para o gabinete do primeiro-ministro, no número 10 da rua Downing. Eles acusaram tanto a União Soviética quanto a Grã-Bretanha de apoiar a Nigéria no conflito contra o Biafra fornecendo armas. O político do Partido Trabalhista, Michael Barnes, também falou num comício organizado pelo "Comité do Biafra". - Getty Images/Daily Express/R. Dumont

'A de Auschwitz — B de Biafra'

Muitos ativistas de direitos humanos ficaram atónitos com a falta de engajamento internacional. Eles expressaram frustração em artigos em jornais e até mesmo em cartazes com slogans como "A de Auschwitz - B de Biafra". Alemães bem conhecidos como Erich Kästner (foto acima), Ernst Bloch, Marcel Reich-Ranicki e Martin Walser eram apenas alguns dos signatários famosos. - picture-alliance/akg-images

Envio de ajuda médica

O médico francês Bernard Kouchner viajou parao Biafra em 1968, onde, como integrante da Cruz Vermelha Internacional (IRC), tentou fornecer ajuda médica à população necessitada. Kouchner criticou a posição do IRC de não interferir na política dos partidos em conflito. Ele prosseguiu lançando as bases da ONG internacional, "Médicos Sem Fronteiras". - Getty Images/AFP/D. Faget

Apelos pela independência continuam

Doações de todo o mundo mantiveram vivo o povo do Biafra. Organizações de ajuda e o IRC enviaram por via aérea mais de 7,3 mil itens, totalizando 81,3 mil toneladas de alimentos e medicamentos. Apesar da ajuda que receberam, os líderes do movimento separatista tiveram de se render à Nigéria em 15 de janeiro de 1970. Ainda hoje, porém, os apelos pela independência continuam. - picture-alliance/Leemage/MP/Lazzero

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