Num comunicado enviado à Lusa e assinado pelo bispo António Ferraz, a IURD Angola promete adotar todas as medidas para reagir à publicação ilícita da ata, que foi publicada no Diário da República de 24 de julho, e pôr "cobro à atuação ilícita daqueles que se intitulam agora de 'Comissão de Reforma da IURD'".

A tensão interna na IURD em Angola arrasta-se desde novembro do ano passado, quando um grupo de bispos e pastores angolanos rompeu com a direção brasileira e agravou-se em junho com a tomada do controlo da maioria dos templos pelos dissidentes, com troca de acusações mútuas relativas à prática de atos ilícitos.

O conflito já deu origem à abertura de processos-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) e subiu à esfera diplomática, com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro a pedir ao seu homólogo, João Lourenço, garantias de proteção dos pastores brasileiros e do património da Igreja, com o chefe de Estado angolano a prometer um "tratamento adequado" do assunto na justiça.

Segundo o Diário da República de 24 de julho, na assembleia extraordinária a Comissão de Reforma da IURD Angola decidiu destituir o corpo de direção da IURD Angola liderada pelo bispo Horinilton Gonçalves "por violação sistemática dos estatutos e direitos dos membros da IURD em Angola".

"Discriminação racional e violação de normas estatutárias, imposição e coação a castração ou vasectomia aos pastores e abuso de confiança na gestão dos recursos financeiros e patrimoniais" da IURD Angola constituem algumas das razões da destituição.

Na assembleia extraordinária, a Comissão de Reforma da IURD Angola elegeu como seu coordenador o bispo Valente Bizerra Luís e decidiram também "por unanimidade dar por finda o serviço eclesiástico pela IURD Angola dos missionários brasileiros em todo o território angolano".

A ata publicada em Diário da República assinala que os membros conferiram poderes à Comissão de Reforma da IURD Angola para gerir todos os programas eclesiásticos televisivos, radiofónicos, de impressa e plataformas digitais da IURD Angola.

Em resposta, o bispo António Ferraz diz que o grupo de dissidentes, promotores da Comissão de Reforma da IURD Angola, "não constitui os legítimos representantes" referindo que alguns foram expulsos devido à prática de "atos ilícitos e a violação do código de conduta da igreja".

De acordo com o comunicado, os dissidentes "jamais poderiam reunir validamente" em assembleia geral para destituir um órgão da IURD Angola ou convocar assembleia extraordinária, pelo que, sublinha, a ata "não pode produzir quaisquer efeitos".

O bispo António Ferraz adianta também que os legítimos membros da IURD Angola foram eleitos durante uma assembleia geral realizada em dezembro de 2019, cujo conselho de direção é presidido pelo bispo António Correia da Silva.

"A IURD Angola irá adotar todas as medidas necessárias para reagir à publicação ilícita da ata publicada em Diário da República, na convicção de que as autoridades administrativas e judiciais de Angola não deixarão de fazer respeitar a lei e a Constituição, bem como os estatutos da igreja", lê-se no comunicado.

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