Reunir-se para comer carne de gato tornou-se um hábito para dois irmãos e um amigo, residentes no município do Cazenga. Adidas, KP e Nelis Boy são as alcunhas dos três jovens, que agora são chamados de “Matadores de Gato” na zona em que vivem, revelou esta manhã uma reportagem do programa Kiandando, da Rádio Luanda.

Adidas conta que começou a comer carne de gato aos 6 anos de idade na casa do seu tio. “Quando tinha 6 anos, os meus tios comiam muito gato. Eu saboreava muito aquela carne sem saber que era gato. Mesmo depois de perceber, não consegui mais parar. Já não consigo passar mais de um mês sem comer gato. Matabicho gato, janto gato, sem o gato eu não vivo”, confessou o jovem.

Por outro lado, Nelis Boy explica que para matar o gato e aproveitar a carne, basta apenas uma pancada e tirar o pêlo ao animal.

“Nós pegamos no gato, metemos no saco e atiramos contra a parede para que este fique enjoado. Depois de morrer, retiramos a cabeça, pele e órgãos, e abrimos o animal ao meio para temperar com sal e jindungo”, revela.

Já KP afirma que os gatos que consomem são, na sua maioria, vadios. “Caçamos os gatos que passam no telhado ou ficamos com os gatos que as vizinhas não precisem mais”. Já com alguma experiência, os jovens explicam que as melhores horas para caçar o pequeno felino são entre as 23h e a 1h da manhã.

Solicitado para analisar o assunto, o especialista em Saúde Pública, Ricardo Ambembe, mostrou-se espantado, mas suspeita que os angolanos podem ser influenciados a comer carne de gato pelos nativos do continente asiático e muitos outros povos de África.

“A carne de gato é alimento em muitos países, uma boa parte das províncias da China consome gato como um alimento normal, alguns até comem a carne crua. Esse hábito pode ter surgido dessa relação que estamos a ter com pessoas de outros países. Em Angola, o gato não faz parte do cardápio dos povos, o seu consumo é um acto muito arriscado, pelo facto do animal transportar consigo muitos parasitas e vírus que podem resultar em crises asmáticas, alergias, tosse, gripe e outras doenças respiratórias. É preciso ter muita calma antes de fazer certas coisas”, alertou o especialista, em entrevista à repórter Júlia Zau.

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