Paulo de Almeida, que participa na Argélia na reunião de chefes de polícia do continente, considerou as informações como "especulações", que têm como objetivo "travar" a operação e ação das autoridades angolanas.

"Mas penso que o nosso porta-voz da operação tem dado o ponto da situação e não devemos estar preocupados com essas informações, que têm sempre uma visão de impedir e dificultar aquilo que nós queremos para o bem do país", disse Paulo de Almeida.

Segundo o comandante-geral da Polícia Nacional, a operação vai continuar e as autoridades continuarão "firmes e disciplinadas".

"Todas as situações irregulares, que, de certa forma, podem surgir, nós estaremos sempre presentes para corrigir", garantiu.

As Nações Unidas expressaram hoje preocupação sobre a alegada saída forçada de Angola de cerca de 200.000 cidadãos da vizinha RDCongo nas duas últimas semanas, admitindo que a situação pode gerar uma crise humanitária.

A agência da ONU para os refugiados salientou que não está claramente apurado de quem partiu a ordem para que os congoleses, trabalhadores na indústria mineira abandonassem Angola.

A ONU diz que as expulsões em massa são contrárias às obrigações da Carta Africana e exorta os Governos de Angola e da RDCongo a trabalharem juntos para garantirem um "movimento populacional" seguro.

Elementos das Nações Unidas recolheram alguns relatos de violência em Angola, enquanto agentes de segurança reforçavam a ordem que estabelecia o prazo de 15 de outubro para a saída dos congoleses.

Na segunda-feira, o Governo da RDCongo revelou que está a realizar "investigações" sobre esta expulsão em massa, sob acusações de violência, "alegações sérias", de acordo com Kinshasa.

"As alegações são muito graves. O Governo reagirá oficialmente nos próximos dias", declarou à agência France Press o porta-voz executivo congolês, Lambert Mende, em reação a uma operação contra a imigração clandestina de Luanda, que obrigou os congoleses a deixarem Angola.

Há relatos de expulsões violentas, até mesmo mortes de congoleses, que Angola nega, falando de retornos "voluntários".

A RDCongo e Angola partilham 2.500 quilómetros de fronteira terrestre, a mais longa em África.

Na semana passada, a polícia angolana avisou que quaisquer atos de xenofobia contra cidadãos da RDCongo serão duramente punidos, depois de agressões registadas num mercado de Saurimo, na província da Lunda Sul.

Na sexta-feira, vários cidadãos angolanos, alguns dos quais detidos pela Polícia Nacional, protagonizaram atos de violência contra cidadãos congoleses que comercializavam produtos diversos no Candembe, saqueando diversos bens seus.

O aviso surge numa altura em que está em curso a "Operação Transparência", iniciada a 25 de setembro nas províncias de Malanje, Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico, Bié, Uíge e Zaire, destinada a impedir atos sistemáticos de violação das fronteiras do país e da entrada e exploração ilegal de diamantes.

A operação envolve efetivos da Polícia de Guarda Fronteira, do Serviço de Investigação Criminal e do Serviço de Migração e Estrangeiros, entre outros órgãos afetos ao Ministério do Interior.

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