Na sequência das suas deliberações, os membros plenários da CNE optaram por basear-se novamente nos cadernos eleitorais utilizados nas eleições legislativas, com algumas correcções, para se acabar com a suspeição em relação aos cerca de 25 mil eleitores que não têm os nomes nos ficheiros eleitorais. Isto apesar de os partidos de oposição considerarem que as correcções efectuadas pelo governo não têm enquadramento legal e que um recenseamento de raiz teria sido a solução adequada.

Alguns candidatos às presidenciais de Novembro, entre os quais o actual Presidente guineense, José Mário Vaz, viram nessas correcções, uma tentativa de fraude por parte do Governo que, por sua vez, ao desmentir as acusações, argumentou que apenas estava a tomar precauções em conformidade com a lei. Mais pormenores com Mussa Baldé.

Refira-se que esta decisão da CNE surge numa altura em que tem havido questionamentos sobre a realização das presidenciais, com esta entidade a revelar na semana passada que a falta de financiamentos podia comprometer o processo. O ambiente político também tem sido algo tenso, o Primeiro-ministro Aristides Gomes tendo denunciado no início da semana uma tentativa de golpe de Estado alegadamente fomentada pelo candidato às presidenciais do MADEM-G15 Umaro Sissoco Embaló, acusações logo desmentidas pelo interessado.

Apesar deste clima de incerteza e desconfiança, o diplomata brasileiro Mauro Vieira, presidente da Comissão da Configuração da Paz da Guiné-Bissau, mostrou-se confiante na perspectiva de as presidenciais se realizarem na data prevista. Após avistar-se hoje com o Presidente José Mário Vaz, no âmbito da visita de dois dias que iniciou hoje ao país, o embaixador disse confiar “na sabedoria política do povo da Guiné-Bissau, das autoridades e dos poderes constituídos”.

Nestas presidenciais, cuja primeira volta está marcada para o dia 24 de Novembro, concorrem 12 candidatos aprovados recentemente pelo Supremo Tribunal de Justiça. A campanha eleitoral deve decorrer entre 1 e 22 de Novembro.


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