“Estamos preparados para nos proteger, estamos prontos a reagir. Não permitiremos que ninguém pise o solo sagrado venezuelano, responderíamos, e esperemos que isso nunca aconteça”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, durante uma conferência de imprensa em Genebra, após um encontro com Michelle Bachelet, a Alta-Comissária da ONU para os direitos humanos.

“Mas garanto-vos que nunca atacaremos um país irmão, nunca pisaremos o solo de um país irmão, em qualquer circunstância, salvo para defender o nosso povo e a nossa integridade territorial”, afirmou.

Na quarta-feira, no decurso de uma reunião da Organização de Estados Americanos (OEA), a Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Guatemala, Haiti, Honduras, Paraguai, República Dominicana, El Salvador e o representante da oposição venezuelana votaram pela ativação do órgão de consulta do Tratado interamericano de assistência recíproca (TIAR).

Washington explicou ter invocado o TEAR, que prevê uma assistência mútua em caso de ataque militar, em resposta às manobras militares ordenadas ao longo da fronteira com a Colômbia pelo Presidente venezuelano Nicolás Maduro, que acusa este país vizinho de procurar “desencadear um conflito”.

A Venezuela, confrontada com uma profunda crise política e económica, iniciou na terça-feira o envio de 150.000 soldados para essa fronteira.

“Os soldados não são uma provocação. As manobras militares são apenas medidas para nos protegermos”, afirmou Arreaza aos jornalistas.

“Onde se treinam esses paramilitares e esses ex-militares venezuelanos? Na Colômbia”, disse.

O Presidente colombiano, Iván Duque, negou qualquer intervenção militar contra a Venezuela, mas continua a exigir o afastamento de Nicolás Maduro e a reconhecer presidente interino o dirigente da oposição Juan Guaidó, à semelhança de cerca de 50 países, incluindo os Estados Unidos.

Segundo Washington, o pedido de ativação do TIAR partiu da oposição venezuelana.

Arreaza definiu como “ilegal” a ativação deste instrumento, ao ironizar sobre “esse governo fantasma que convoca um órgão morto e o ativa”. “É perigoso porque (…) implica que ativaram um mecanismo para atacar a Venezuela”, concluiu.

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