É a segunda vez que a chanceler alemã, Angela Merkel, visita Angola, depois de ter sido recebida no país em 2011. Já em 2018, foi a vez de o Presidente angolano, João Lourenço, visitar a Alemanha. Os dois dirigentes voltaram a encontrar-se em Nova Iorque, em setembro do ano passado.

Com novo encontro marcado para esta sexta-feira(07.02), estarão em destaque as relações políticas e económicas entre os dois países. Mas a Amnistia Internacional e várias organizações não-governamentais angolanas esperam que haja também espaço para os direitos humanos.

É o caso de Alexandre Kuanga, líder da Associação para o Desenvolvimento da Cultura dos Direitos Humanos, sedeada em Cabinda. "É necessário que a visita de Angela Merkel inclua a situação dos direitos humanos em Cabinda porque é uma situação que inquieta toda a sociedade, todo o povo de Cabinda, até mesmo os paises vizinhos. A situação dos direitos humanos em Cabinda é uma situação caótica, que está a dificultar o exercício de cidadania", afirma.

Quem também entende que o capítulo dos direitos humanos em Angola devia constar da agenda da visita da chanceler alemã é João Malivondele, coordenador da ONG Omunga com sede no Lobito, província de Benguela. "A Alemanha é um dos países que tem a responsabilidade moral na reconstrução da nova era dos direitos humnaos", sublinha João Malivondele.

Por isso, considera que a visita da chanceler alemã devia abordar os direitos humanos, "numa altura em que as organizações de direitos humanos enfrentam grandes dificuldades no acesso ao financiamento para exercerem as suas atividades". O coordenador da Omunga espera "uma estratégia de apoio" como já aconteceu no passado."

Melhorar o ambiente de negócios

A chanceler alemã chega esta sexta-feira a Luanda, depois de passar pela África do Sul. O encontro com João Lourenço está marcado para o período da manhã. Osvaldo Mboco, especialista em questões internacionais, espera resultados positivos, que passam por um "maior estreitamento de relações entre esses dois Estados e uma nova forma de abordagem das relações também."

O analista acredita que com os esforços levados a cabo pelo governo angolano no combate à corrupção, "o Estado angolano é visto de uma outra forma na arena internacional e isso é um passo significativo para um país que pretende abrir-se ao investimento estrangeiro."

Para criar um bom ambiente de negócios, o Governo angolano tem adoptado algumas medidas como a facilitação de vistos e revisão da legislação económica. Por exemplo, no ano passado, foi aprovada uma nova lei de investimento estrangeiro que não obriga o investigador a associar-se a um empresário nacional para o desenvolvimento da sua actividade no país.

Mas é preciso fazer mais, diz Emília Pinto, especialista angolana em questões internacionais. "É um mercado atrativo, é um mercado promissor, mas também é um mercado que precisa ser trabalhado, precisa ser moldado até corresponder aqueles que são os grandes padrões internacionais em termos de comércio e económica internacional", sublinha.

Fórum Económico Angola-Alemanha

No período da tarde, a chanceler e o Presidente João Lourenço presidem à abertura do Fórum Económico Angola-Alemanha, um evento que o ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, classifica com um dos pontos altos da visita de Angela Merkel.

Mas Emília Pinto não espera milagres: "O Governo angolano, por via da diplomacia económica, tem feito um excelente trabalho em termos de divulgação e em termos de procurar meios para dirigir determinadas questões, mas ainda há um caminho a percorrer". Segundo a especialista, não adianta ter expetativas muito elevadas "de um fórum que pode não produzir os tais efeitos milagrosos" de que Angola precisa nesta altura.

Angola tem acordos assinados com a Alemanha em vários domínios, como na indústria. Osvaldo Mboco entende que também é preciso reforçar a cooperação no setor do ensino superior, por exemplo. "Dar maior impulso a outros setores como as áreas de infraestruturas, transporte, defesa, bem como a área de formação", acrescenta.

Merkel visitará ainda o Museu de Antropologia, que iniciou um programa de cooperação com o Instituto Goethe em Angola e a Fundação do Património Cultural da Prússia. A chanceler vai também visitar uma empresa alemã, onde tem encontro marcado com angolanos que estudaram na Alemanha.

por:content_author: Manuel Luamba (Luanda)

 

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