O Censo da Indústria de Angola, levantamento que deverá estar concluído até Dezembro, já identificou mais de 6.300 empresas, de diferentes dimensões e actividades, a operar no país, foi hoje anunciado em Luanda.

De acordo com o Director Nacional de Cadastro e Licenciamento Industrial, Lourenço da Cunha, este levantamento, iniciado em 2013, visa conhecer "com mais pormenor" o tecido industrial angolano e está em fase de finalização.

"Em termos gerais já ultrapassa as 6.300 empresas registadas. O objectivo é conhecer todas as unidades industriais, o que se produz a nível nacional, independentemente da sua definição. O nosso país tem muitas micro e pequenas indústrias, tudo isso é alvo deste censo", disse.

Com este levantamento concluído, cuja validação e apresentação oficial deverá acontecer ainda este ano, Lourenço da Cunha garante que será possível ao executivo angolano "formular políticas de apoio ao sector industrial" em todo o país.

O responsável falava durante a apresentação da primeira edição da Expoindústria, organizada pelo Ministério da Indústria, entre 20 e 21 de Novembro, em Luanda, para "promover" o que de melhor se faz no país, envolvendo cerca de 60 indústrias nacionais como expositores.

Alimentação, bebidas, têxtil, calçado, madeira, papel, minerais ou materiais de construção são alguns dos sectores representados nesta primeira edição de uma feira que pretende valorizar o produto angolano.

Actualmente, 54 empresas de direito angolano já ostentam nos seus produtos a marca "Feito em Angola", obedecendo para tal a critérios que obrigam a uma elevada incorporação nacional nessa produção, de matéria-prima a recursos humanos.

Para António da Silva, director-geral do instituto de Desenvolvimento Industrial de Angola, o país ainda não pode ser considerado como industrializado, face aos problemas no fornecimento de electricidade ou pela falta de vias de comunicação com qualidade ou em número suficiente.

"Nós, no Ministério da Indústria, não falamos em reindustrialização, falamos em industrialização do nosso país. A nossa indústria é nascente", enfatizou, admitindo o objectivo governamental de "um dia" tornar Angola num país industrializado, diversificando desta forma a economia, substituindo importações e alargando as exportações além do petróleo.

"No passado [antes da independência, em 1975] tivemos alguma indústria, que era capaz de satisfazer mais ou menos as nossas necessidades, mas fruto da guerra [que terminou em 2002] essa indústria deixou de existir. O que estamos agora a fazer é promover o surgimento de novas indústrias, estamos praticamente a começar do zero", apontou António da Silva.

Lusa

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