Pelo menos 20 milhões de pessoas nos Estados Unidos podem já ter contraído a covid-19, segundo estimativas das autoridades de saúde do país.

O Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) diz que o verdadeiro número de casos pode ser até dez vezes maior do que o que vem sendo noticiado.

A notícia surge no momento em que o Estado do Texas interrompeu a reabertura da sua economia, em meio a um novo surto de infecções e hospitalizações.

Os Estados Unidos registraram 2,4 milhões de infecções confirmadas e 122.370 mortes oficiais.

Alguns Estados do sul e do oeste têm registrado números recordes de casos nos últimos dias.

A Universidade de Washington prevê que os Estados Unidos chegarão a 180 mil mortes até outubro — ou 146 mil, se 95% dos americanos usarem máscaras.

O que o CDC diz?

“Nossa melhor estimativa até agora é de que, para cada caso que foi registrado, há outras dez infecções”, diz o diretor do CDC, Robert Redfield.

Isso acontece porque os testes estão restritos a pessoas com sintomas. Portadores assintomáticos não estão sendo testados, diz ele.

“Nós provavelmente reconhecemos cerca de 10% do surto com os métodos que usamos para diagnosticar entre março, abril e maio.”

Redfield disse que entre 5% e 8% da população foram expostas ao vírus e fez um apelo para que os americanos façam distanciamento social, usem máscaras e lavem as mãos.

“Na medida em que entramos no outono, no inverno, estes serão mecanismos de defesa bem importantes”, ele diz.

O que está acontecendo no Texas?

O Texas, que estava na linha de frente dos Estados que começaram a reabrir suas economias, registrou um surgimento de milhares de novos casos, o que levou o governador republicano Greg Abbott a interromper os esforços de reabertura.

“A pausa temporária vai ajudar o nosso Estado a conter a propagação até que possamos, de forma segura, entrar na próxima fase de reabertura para negócios no nosso Estado.”

A situação no Texas é preocupante:

  • O Estado confirmou o recorde diário de 5.996 novos casos na quinta-feira
  • Também foram confirmadas 47 novas mortes, o maior número diário em um mês
  • O número de pessoas internadas bateu recordes por 13 dias consecutivos
  • Cirurgias não-essenciais foram suspensas em Houston, Dallas, Austin e San Antonio para aumentar a oferta de leitos
  • Mais de 10% dos testes feitos na última semana deram positivo
  • Quase todos os 254 condados tiveram casos; só 12 deles que não

Outros Estados — como Alabama, Arizona, Califórnia, Flórida, Idaho, Mississippi, Missouri, Nevada, Oklahoma, Carolina do Sul e Wyoming — também tiveram aumentos diários no número de casos confirmados esta semana.

Testes nos EUA
Governo dos EUA diz que casos cresceram porque há mais testes, mas exames positivos também aumentaram créditos: Getty Images

Mais de 36 mil novos casos foram confirmados nos Estados Unidos na quarta-feira — não muito longe dos 36.426 registrados no dia 24 de abril, que ainda é o recorde atual.

Parte dessa subida acontece por causa do aumento no número de testes, mas o percentual de exames positivos também está crescendo em algumas áreas.

Na quarta-feira, os Estados de Nova York, Nova Jersey e Connecticut anunciaram que pedirão que pessoas voltando de oito Estados — Alabama, Arkansas, Arizona, Flórida, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Texas e Utah — fiquem isoladas por 14 dias.

Na Califórnia, onde 7.149 novos casos foram registrados na quarta-feira, a Walt Disney anunciou que vai retardar a reabertura dos seus parques de diversões Disneyland e Disney California Adventure Park. Inicialmente, eles estavam previstos para reabrir no dia 17 de julho. A empresa disse que ainda precisa de autorização do governo.

O governador Gavin Newsom disse que o Estado já realizou mais de um milhão de testes nas últimas duas semanas, com cerca de 5% deles positivos. Newsom tornou obrigatório o uso de máscaras em público.

Há relatos de que a União Europeia estaria considerando proibir cidadãos americanos de entrarem no bloco, na medida em que as fronteiras da Europa estão reabrindo.

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