Lindo Bernardo Tito comentava à agência Lusa os 39 anos de liderança política de José Eduardo dos Santos, cargos que assumiu em 1979, quer de Presidente da República (até 2017) quer de líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, até ao próximo sábado), após a morte do primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto.

José Eduardo dos Santos deixará, assim, a vida política ativa, durante o VI Congresso Extraordinário do MPLA, em que o único candidato à sucessão é o atual vice-presidente do partido e chefe de Estado angolano, João Lourenço.

O dirigente da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE) destacou que esta mudança não constitui uma "transição", mas sim uma "sucessão", tendo em conta que as "transições são feitas assentes em bases de princípios democráticos".

Segundo Lindo Bernardo Tito é preciso, contudo, reconhecer que José Eduardo dos Santos "contribuiu positivamente" para Angola.

"Assumiu as funções aos 37 anos. Vai sair da vida política com muito mais de 70 anos [tem 76]. E fez muito. Essencialmente foi aquele que trabalhou para assegurar a estabilidade política, a paz e começou a trabalhar para a reconciliação nacional, que é uma obra não terminada", referiu.

Apesar de terem sido essas "as grandes questões" que José Eduardo dos Santos contribuiu para o país, "há que reconhecer que, numa balança entre o que fez de bom e o ruim que ele fez, a balança pende para aquilo que ele fez de ruim".

Para o dirigente da CASA-CE, José Eduardo dos Santos deixa "um país numa situação extremamente difícil".

"Hoje, todos nós estamos convictos de que a propaganda que dizia que o país tinha rumo, afinal, não tinha. Estávamos completamente num poço. Bastou o petróleo baixar e tudo veio ao de cima. Daí que vai deixar o país numa situação extremamente difícil", salientou.

"[Vai deixar Angola] com níveis altos de pobreza, desemprego, a falta de serviços essenciais, num país não desenvolvido, apesar de ter gerido muitos recursos públicos. Sabemos todos nós que geriu o país num momento em que o petróleo estava com um preço altíssimo. Enfim, não foi um bom gestor", acrescentou.

Relativamente à nova liderança do MPLA, o político considera que é preciso ter-se presente que João Lourenço "esteve na mesma máquina e nunca esteve distante", desde dirigente do partido a ministro.

"João Lourenço ocupou funções de destaque neste país e esteve no centro das grandes decisões que foram tomadas neste país pelo Bureau Político do MPLA. Logo, conhece a situação e participou na situação em que vivemos", lembrou.

De acordo com Lindo Bernardo Tito, o sucessor de José Eduardo dos Santos "participou e tem uma quota parte também" na situação que os angolanos vivem hoje.