O vencedor do Prémio Camões/2009, o escritor e poeta cabo-verdiano Arménio Vieira, disse hoje à Agência Lusa que, a título pessoal, já esperava "ganhar" mas sublinhou que era ainda cedo para um autor de Cabo Verde ser distinguido.

Arménio Vieira vence P´rémio Camões 2009"A título pessoal, eu esperava o prémio. Mas por causa de ser Cabo Verde, admiti que fosse ainda um bocado cedo. É pequeno em relação à imensidão do Brasil, que tem centenas de escritores óptimos. E Portugal também. Seria muito difícil Cabo Verde apanhar o prémio", disse à Lusa, visivelmente emocionado.
"É uma honra pessoal. Eu é que sou o autor dos livros que ganharam o prémio, porque é atribuído à obra e não à pessoa. Acho que é uma honra para Cabo Verde. É histórico, Cabo Verde nunca tinha ganho. Desta vez lembraram-se do nosso pequeno país", acrescentou Arménio Vieira.

 O escritor cabo-verdiano Germano de Almeida congratulou-se hoje com a atribuição do Prémio Camões/2009 ao seu compatriota e poeta Arménio Vieira, sublinhando que a distinção é "inesperada" mas "bem entregue".

Em declarações à Agência Lusa, Germano de Almeida considerou que Arménio Vieira é "um grande poeta" e que a opção do júri do prémio por um autor de Cabo Verde, "apesar de vir tarde", é o reconhecimento "não só da obra do vencedor como também de todo o Arquipélago".
"O prémio é inesperado mas está bem entregue. Arménio Vieira é um grande poeta e o que interessa agora, para todos nós, escritores e poetas, é que Cabo Verde já tem um galardoado com o Prémio Camões. Era mais do que altura", afirmou Germano de Almeida, que era um dos nomes apontados como possível vencedor.

 A poesia e a escrita do escritor cabo-verdiano Arménio Vieira "engrandece a Língua Portuguesa", afirmou hoje à Agência Lusa o ministro da Cultura de Cabo Verde, ao comentar a atribuição do Prémio Camões.

"É um escritor/poeta de ruptura, que saiu da tradicional ladainha da terra de Cabo Verde e abriu-se ao mundo. Arménio Vieira faz uma literatura de dissidência saudável. Rompeu com a tradição e abriu-se ao mundo. Aliás, o mundo é pequeno para ele", afirmou Manuel Veiga, que considera "O Eleito do Sol" a melhor obra do autor.

Sobre o facto de, pela primeira vez, Cabo Verde ter sido distinguido com o Prémio Camões, Manuel Veiga considerou que "já era mais que tempo", lamentando, porém, que Manuel Lopes, um dos maiores autores cabo-verdiano, já falecido, nunca tenha sido galardoado com um prémio "mais que merecido".

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