De acordo com o relatório de deportações do ano fiscal de 2019 (01 de outubro de 2018 a 30 de setembro de 2019) da agência federal norte-americana para a Imigração e Alfândegas – Immigration and Customs Enforcement (ICE) -, consultado hoje pela Lusa, o número de cabo-verdianos deportados, por vários motivos, mas sobretudo imigração ilegal, desceu para 50, face aos 68 de 2018.

Nos Estados Unidos reside a maior comunidade cabo-verdiana fora do arquipélago, a qual está estimada em 250.000 pessoas, concentradas sobretudo no estado de Massachusetts.

Em entrevista à Lusa, este mês, em Washington, o embaixador cessante de Cabo Verde nos Estados Unidos, Carlos Veiga, explicou que as deportações foram “um problema” que encontrou nas relações entre os dois países, quando em 2016 assumiu funções.

Na altura, recordou, Cabo Verde “estava na lista dos países não cooperantes em matéria de deportação”.

“Ou seja, o Governo cabo-verdiano de então, o anterior, tinha tido uma política de não dar documentos de viagem para as pessoas deportadas e, portanto, Cabo Verde foi acumulando situações sem solução e acabou por entrar precisamente na lista dos países não cooperantes, o que tem consequências no diálogo político, consequências na cooperação. As agências de cooperação americanas recebem instruções para não lidar com o país e assim sucessivamente”, explicou o também antigo primeiro-ministro cabo-verdiano.

Segundo Carlos Veiga, o problema passou então a ser diplomático e apenas foi ultrapassado com a assinatura de um memorando de entendimento entre os dois países, fazendo Cabo Verde sair dessa lista de países não cooperantes com as autoridades norte-americanas.

“Conseguimos, em negociações com as autoridades americanas, estabelecer um quadro regulatório que permite transparência, previsibilidade e que dá a Cabo Verde a possibilidade de controlar e verificar a nacionalidade das pessoas que são deportadas”, acrescentou.

Ainda segundo o relatório de 2019 do ICE, que atua na jurisdição do Departamento de Segurança Interna norte-americano, depois de Cabo Verde, entre os PALOP, Angola foi o país com mais deportações, que aumentaram das 32 registadas em 2018 para 40 no ano passado.

O total de cidadãos da Guiné-Bissau deportados pelos agentes daquela força policial desceu de cinco para quatro e da Guiné Equatorial manteve-se inalterado, em cinco casos, de 2018 para 2019.

Depois de em 2018 não ter tido qualquer deportação, Moçambique viu três cidadãos nacionais expulsos do país no ano passado, enquanto São Tomé e Príncipe voltou a não ter nenhum caso em 2019.

No total, os Estados Unidos deportaram no ano fiscal de 2019 um total de 267.258 cidadãos de várias nacionalidades, um aumento face aos 256.085 do período anterior. O Brasil viu o número de deportados aumentar de 1.691 para 1.770, o mesmo acontecendo com Portugal, que passou de 96 em 2018 para 101 em 2019, enquanto Timor-Leste voltou a não registar qualquer caso.

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