A campanha eleitoral no  Burundi começou esta segunda-feira 27/04), com comícios gigantescos e vai durar até 17 de maio, mau grado a pandemia de Covid-19, que causou oficialmente um óbito entre os quinze casos declarados positivos.

A Comissão Nacional Eleitoral Independente – CENI – forneceu apenas baldes de água e sabão, para que os particpantes nos comícios lavem as mãos.

Sete candidatos disputam a eleição presidencial, entre os quais o ultra-favorito é o general Évariste Ndayishimié, que representa o partido no poder, o Conselho Nacional para a Defesa da Democracia – Forças de Defesa da Democracia – CNDD-FDD – e é o delfim do actual Presidente Pierre Nkurunziza, há 15 anos no poder.

O seu principal adversário é o líder histórico da antiga rebelião hutu Forças Nacionais de Libertação – FNL – Agathon Rwasa, candidato pelo Conselho Nacional para a Liberdade – CNL – criado há cerca de um ano.

Destaque também para Domitien Ndayizeye, que foi Presidente de transição entre 2003 e 2005 e lidera a coligação Kira Burundi, cuja candidatura começou por ser recusada, tal como a de três outros pretendentes, mas finalmente aceite após interposição de recurso.

Um escrutínio que não encerra qualquer suspense, pois o candidato do partido no poder será o futuro Presidente do Burundi e “a oposição concorre apenas para credibilisar a democracia do regime, com o objectivo de conquistar alguns lugares no parlamento, de maneira a existir, mesmo se de forma mais teórica do que real” admitiu à RFI Thierry Vircoulon, coordenador do Observatório para a África Central e Austral no Instituto Francês de Relações Internacionais – IFRI.

Sociedade civil mobilizada

Após a crise política de 2015 e o fracasso do diálogo lançado sob a égide da Comunidade da África do Oeste, seis organizações criaram em conjunto um consórcio para o seguimento das violações de direitos humanos durante a campanha eleitoral.

Em comunicado convidam as autoridades a “garantir a segurança de toda a população neste período eleitoral, em que os opositores são particularmente ameaçados” e ao “respeito escrupuloso dos direitos eleitorais dos candidatos e dos eleitores“.

Em comunicado datado desta segunda-feira (27/04) o ong de defesa de direitos humanos Human Rights Watch, afirma ter recenseado vários casos de morte, desaparecimentos, ameaças e assédio contra alegados opositores e admite que estas eleições serão marcadas por abusos e impunidade total em relação ao partido no poder e sua ala juvenil.

Pandemia de Covid-19

A campanha vai pois decorrer em plena pandemia de Covid-19, mas até ao momento não foram decretadas nenhumas medidas de restrição em relação aos comícios e reuniões públicas, enquanto o partido no poder continua a afirmar que o Burundi “está protegido do coronavírus por graça divina“, o que a oposição denuncia, acusando o governo de minimisar a pandemia, para evitar que a população se interrogue sobre a oportunidade de realizar eleições neste momento.

Desde 2015 e da contestada reeleição para um terceiro mandato de Pierre Nkurunziza, o Burundi mergulhou em 2015 numa crise e ciclo de violência e violação massiva de direitos humanos, que causou a morte de cerca de 1.200 pessoas e 400.000 deslocados.

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