O Ministério da Saúde informou neste sábado (1) que existem 16 casos suspeitos do novo coronavírus no país. Nenhum caso foi confirmado.

De acordo com os dados divulgados pelo Ministério, os casos suspeitos estão em São Paulo (8), Rio Grande do Sul (4), Santa Catarina (2), Ceará (1) e Paraná (1). Há ainda dez casos descartados: Minas Gerais (1), Rio de Janeiro (1) , São Paulo (2), Paraná (1), Santa Catarina (2) e Rio Grande do Sul (3).

De acordo com os números da Organização Mundial de Saúde, ja são 259 mortos e 11.953 casos confirmados em todo o mundo. Destes, 11.821 foram registrados na China.

Em entrevista coletiva realizada na quarta-feira, o Ministério da Saúde disse que não vai barrar no Brasil pessoas vindas da China, mas orienta as empresas brasileiras evitem marcar e participar de reuniões presenciais com pessoas vindas do país asiático.

“Brasileiros devem pensar três vezes antes de ir para a China. Há uma expectativa de redução de pessoas (que venham da China) porque governo está fazendo recomendações. Temos informações de que há possibilidades de restrições maiores. Mas isso não é atribuição nossa, é da China”, afirmou o secretário substituto de Vigilância em Saúde, Júlio Croda.

Polêmica nas fronteiras

Países ao redor do mundo fecharam suas fronteiras para viajantes que passaram pela China, enquanto autoridades trabalham para controlar a rápida disseminação do coronavírus.

Os EUA e a Austrália disseram que negariam a entrada a todos os visitantes estrangeiros que estiveram recentemente na China, onde o vírus surgiu pela primeira vez em dezembro.

Países como Rússia, Japão, Paquistão e Itália anunciaram restrições de viagem semelhantes.

O Ministério da Saúde não tomou essa decisão, mas orientou que viagens para a China devem ser realizadas somente “em casos de extrema necessidade”.

Mas as autoridades globais de saúde criticaram as medidas de restrição.

“As restrições de viagens podem causar mais mal do que bem, dificultando o compartilhamento de informações, as cadeias de suprimentos médicos e prejudicando economias”, afirmou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) na sexta-feira (31/01).

A OMS recomenda que sejam feitos exames nas passagens oficiais de fronteira. Segundo a entidade, o fechamento de fronteiras pode acelerar a propagação do vírus, com viajantes entrando em países ilegamente.

A China criticou a onda de restrições de viagens, acusando governos estrangeiros de ignorar as recomendações oficiais.

“Logo depois de a OMS criticar as restrições de viagens, os EUA correram na direção oposta”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Hua Chunying. “Certamente não é um gesto de boa vontade.”

Casos de coronavírus fora da China
créditos: BBC

Emergência de saúde global

O coronavírus de Wuhan foi declarado uma emergência de saúde global na quinta-feira (30/01) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), após a confirmação da morte de mais de 200 pessoas na China, onde quase 12 mil casos já foram registrados.

Fora da China, cerca de 100 foram confirmados em 24 países. A maioria das pessoas esteve em Wuhan, a província chinesa onde surgiu o novo vírus. No entanto, também existem pacientes infectados por pessoas que viajaram para a China na Alemanha, Japão, Vietnã e Estados Unidos.

A corrida para impedir sua propagação levou as autoridades chinesas a estabelecer quarentenas virtuais para mais de 40 milhões de habitantes.

Mãe e filho chineses com máscara
O coronavírus de Wuhan foi declarado uma emergência de saúde global na quinta-feira (30/01) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), após a confirmação da morte de mais de 200 pessoas na China, onde quase 12 mil casos já foram registrados créditos: Getty Images

O que é uma emergência global para a OMS?

A OMS declara uma emergência de saúde pública de importância internacional (ESPII, na sigla em inglês) quando há “um evento extraordinário que constitui um risco à saúde pública de outros Estados através da disseminação internacional da doença”, afirma a agência.

E emite recomendações temporárias que os 192 países membros da organização devem seguir para conter a propagação de uma doença, neste caso o coronavírus ou 2019-nCoV (seu nome técnico).

“Eles devem estar preparados para tomar medidas de contenção, como vigilância ativa, detecção precoce, isolamento e gerenciamento de casos, acompanhamento de contatos e prevenção da propagação 2019-nCoV e fornecer à OMS todos os dados relevantes “, informou o comunicado divulgado pela OMS na quinta-feira.

A organização recomenda que “os países procurem principalmente reduzir a infecção nas pessoas, evitar a transmissão secundária e a propagação internacional e colaborar com a resposta internacional por meio da comunicação e colaboração multissetoriais e participação ativa para aumentar o conhecimento sobre a o vírus e a doença e para impulsionar a pesquisa “.

Passageiros são escaneados em aeroporto na Índia
Diversos países adotaram a triagem de passageiros em aeroportos para conter o surto créditos: AFP

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