Na semana passada, os bispos e pastores angolanos tomaram a direção da IURD no país, por não concordarem com a gestão brasileira, a quem acusam da prática de evasão de divisas, branqueamento de capitais e racismo, bem como de castração.

Em dezembro de 2019, a Procuradoria-Geral de Angola instaurou dois processos-crime contra a IURD, tendo como base as denúncias feitas pelos pastores angolanos.

Numa resposta enviada à Lusa, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil refere que a IURD é uma “entidade devidamente legalizada desde que se instalou em Angola, no início da década de 1990, e é reconhecida pelas autoridades e pela sociedade locais pelo seu histórico de trabalho social, especialmente junto a comunidades carentes".

"Ao longo de 2019, tais incidentes foram objecto de conversas em alto nível com as autoridades angolanas, no quadro das excelentes relações que ambos os países mantêm, sempre no propósito comum de que aos cidadãos brasileiros sejam assegurados os seus direitos", esclarece o Governo brasileiro.

O Itamaraty, como também é conhecido o ministério, informou igualmente que nos últimos dias tomou conhecimento de novos relatos de incidentes de natureza violenta que afectam pastores daquela igreja em Angola, inclusive brasileiros.

"O Governo brasileiro lamenta os incidentes verificados em locais de culto em cidades angolanas, cujas vítimas incluem cidadãos brasileiros, e acompanha atentamente” a sua situação com vista “a prestar-lhes toda a assistência permitida pelo direito angolano e em consonância com as normas internacionais", adianta.

O Brasil acrescenta que a embaixada do país em Luanda está em contacto permanente com as autoridades angolanas, nomeadamente o Ministério do Interior e a Polícia Nacional de Angola, para esclarecer os atos violentos e dar os devidos encaminhamentos nos termos do direito local.

O Itamaraty explica ainda que o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, conversou na última terça-feira com o chanceler de Angola [ministro das Relações Exteriores] sobre os factos ocorridos e transmitiu-lhe a expectativa de que seja garantida a segurança dos brasileiros da IURD.

"O chanceler angolano comprometeu-se a prestar toda a atenção ao assunto. O ministro Araújo está à procura de novo contacto com o seu homólogo angolano para tratar, lamentavelmente, dos novos incidentes que vêm ocorrendo nos últimos dias", conclui a nota.

A IURD, fundada por Edir Macedo em 1977, tem acumulado polémicas um pouco por todo o mundo, incluindo o envolvimento numa alegada rede ilegal de adopções em Portugal, e noutros países lusófonos, como São Tomé e Príncipe, onde os fiéis se revoltaram contra a detenção de um pastor são-tomense num protesto onde foi morto um jovem.

A organização religiosa já esteve na mira da justiça de vários países, além do Brasil, onde Edir Macedo, que construiu um verdadeiro império empresarial e chegou a ser considerado um dos pastores evangélicos mais ricos do país, foi preso, em 1992, sob acusação de charlatanismo e estelionato (burla), que foram mais tarde anuladas.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.