Para o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, a decisão norte-americana para reposicionamento - na Europa e em bases domésticas - de cerca de 12.000 militares dos Estados Unidos que estavam na Alemanha, anunciada na quarta-feira, mostra "empenho contínuo na segurança europeia".

Mas a ministra alemã da Defesa, Annegret Kramp-Karrenbauer, faz outra avaliação: os planos norte-americanos são "lamentáveis" e vão obrigar a pensar em alternativas para as cidades afetadas pela decisão, além de enfatizarem a necessidade de uma maior integração europeia ao nível das políticas de segurança e defesa.

"A verdade é que a qualidade de vida na Alemanha e na Europa depende cada vez mais da forma como nós próprios garantimos a nossa segurança. Quero que finalmente avancemos rapidamente com a política de defesa e segurança europeia", afirmou a ministra. A Alemanha deverá usar a atual presidência semestral do Conselho da União Europeia para alcançar este objetivo, acrescentou.

As declarações de Annegret Kramp-Karrenbauer surgem depois de o comando norte-americano para África, o AFRICOM - baseado na cidade de Estugarda, no sul da Alemanha, desde a sua fundação, em 2008 - ter anunciado que está em busca de uma nova sede fora da Alemanha. "O comando vai olhar primeiro para as suas opções na Europa, mas também vai considerar opções nos Estados Unidos", diz um comunicado do AFRICOM.

Até agora, a reação do Governo alemão aos planos dos EUA tem sido classificada como contida. Uma das exceções foi Rolf Muetzenich, uma das figuras de destaque do Partido Social-Democrata (SPD), parceiro da coligação governamental alemã, que sugeriu esta semana que "as cooperações em matéria de armamento terão de ser avaliadas sob uma nova perspetiva".

Planear o futuro

Dos cerca de 12 mil militares norte-americanos atualmente destacados no território alemão, cerca de 6.400 elementos irão regressar a bases domésticas e cerca de 5.600 serão reposicionados noutros países europeus (Polónia, Bélgica e Itália).

O secretário de Defesa norte-americano, Mark Esper, declarou que a decisão cumpre o desejo anunciado pelo Presidente dos Estados Unidos de retirar uma parte do contingente militar norte-americano da Alemanha, país (e Estado aliado na NATO) que Donald Trump acusa de não gastar o suficiente em defesa. O plano, cujo futuro é ainda incerto - uma vez que precisa do apoio e do financiamento do Congresso norte-americano - prevê que permaneçam cerca de 24 mil militares dos EUA em solo alemão.

Mas o que é que acontece às cidades alemãs onde viviam os 12 mil soldados norte-americanos que vão abandonar o país? Num comunicado divulgado esta sexta-feira, a ministra da Defesa alemã afirmou que tenciona convidar os governadores dos estados federados alemães afetados para discutir as repercussões da decisão norte-americana. O encontro com os governadores pretende avaliar como os militares alemães podem apoiar as regiões, segundo explicou a ministra.

As localidades visadas já se preparam para as consequências da decisão norte-americana, prevendo um duro golpe nas suas economias. "Se os soldados deixarem Spangdahlem, podemos fechar portas", diz Karl Metz, vendedor de automóveis nesta localidade na região alemã do Eifel, onde se encontra uma base aérea norte-americana. "Seria uma perda total. Sem trabalho, sem nada", lamenta. Só nesta base norte-americana vivem quase 11 mil pessoas, incluindo as famílias dos soldados.

"É uma decisão solitária e irracional, incompreensível, feita por uma pessoa bizarra", resume Manfred Rodens, o presidente da câmara de Speicher, o município a que pertence Spangdahlem.

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