As detenções partiram da Procuradoria-geral da República (PGR), no seguimento de um processo de burla por defraudação, abuso de confiança e especulação, que coincidem com queixas de escassez de adubos entre a classe produtora, embora se preconize uma colheita aceitável.

Duas fontes contactadas pela VOA, ambas ligadas ao Ministério da Agricultura e Florestas, referem que a subvenção do Estado, com o saco a custar seis mil kwanzas, metade do preço praticado pelos fornecedores privados, tem alimentado esquemas de desvio de fertilizantes.

O produto aparece no chamado “mercado negro”, ficando o camponês associado sem o incentivo à produção, tal como relatam as mesmas fontes, que falam em grandes quantidades desviadas.

No Bocoio – 110 quilómetros da cidade de Benguela -, onde foram detidos os chefes das secções municipais da Agricultura e da Estacção de Desenvolvimento Agrário, José Domingos e Paulo da Silva Cabaça, associações de camponeses dizem que ainda não tiveram contacto com o plano de distribuição dos fertilizantes, quase cinco meses após a abertura da campanha agrícola.

Ao assumir que se apercebeu do mandado de detenção emitido pela PGR, Laurinda Djaúca, à frente de 17 cooperativas e 13 associações, adverte que tem faltado o mais importante, mas sublinha que os produtores foram agraciados com sementes e algum instrumento de trabalho.

‘’No que fala do adubo, como nunca recebi o tal plano … não consigo dizer nada, nunca acompanhei de perto, se tem ou não tem. O mais importante para a nossa actividade é mesmo o adubo, as charruas e as catanas’’, indica a camponesa.

Mesmo em situação normal, os fertilizantes que a província recebe são insuficientes para uma demanda de 65 mil famílias camponesas.

O secretário provincial da União das Associações Camponesas (Unaca), José Januário, que até vaticina uma época produtiva, é defensor de rigor na hora da distribuição dos meios.

‘’Os fertilizantes nunca chegam, são sempre insuficientes. Mas o pouco que recebemos foi distribuído a todos que apareceram. As catanas e charruas também foram poucas’’, salienta aquele líder associativo.

A VOA não conseguiu a versão da defesa dos agentes suspeitos, que viram o Ministério Público aplicar prisão preventiva como medida de coacção pessoal, conforme indica uma nota da Delegação do Interior distribuída à imprensa.

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