"Os aviões russos bombardearam novamente a província de Idlib depois de uma pausa de 22 dias", indicou à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Também nesta terça-feira, o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, declarou que as Forças Armadas sírias "se dispõem a resolver" o problema do "terrorismo" na província de Idlib.

"A situação em Idlib continua a preocupar Moscovo, Damasco, Ancara e Teerão", declarou Peskov à imprensa. "Formou-se um núcleo de terrorismo, e isso desestabiliza a situação", destacou.

"Minava os esforços para alcançar uma solução político-diplomática" na Síria e "isso constitui uma ameaça importante para nossas bases" militares na Síria, acrescentou.

Segundo Moscovo, dessa zona, são pilotados dezenas de drones que ameaçam a base aérea russa de Hmeimim.

"Sabemos que as Forças Armadas sírias se dispõem a resolver esse problema", acrescentou.

Peskov não quis comentar as informações, segundo as quais aviões de guerra russos bombardearam Idlib nesta terça. O Ministério russo da Defesa também não se pronunciou.

De acordo com o OSDH, os bombardeamentos russos em Idlib "acontecem um dia depois dos ataques rebeldes contra posições das forças do regime na província vizinha de Latakia que fizeram três mortos".

A província costeira de Latakia é um dos principais redutos do regime sírio e região de origem da família do presidente Bashar al-Assad.

A aviação russa bombardeou os setores sul e sudoeste da província, segundo o OSDH, que cita o setor de Jisr al Shughur, controlado pelos jihadistas da Hayat Tahrir al-Sham (ex-militantes da Al-Qaeda) e Ariha, controlado pelos rebeldes.

O regime de Bashar al-Assad vem concentrando tropas há mais de um mês nos limites de Idlib em preparação a uma importante ofensiva.

Os bombardeamentos nessa região começaram em 10 de agosto e foram diminuindo.

Idlib é a última região síria que Damasco não controla. Cerca de 60% da província está dominada pelo Hayat Tahrir al-Sham (HTS, formado por ex-membros da Al-Qaeda), e também há múltiplas milícias rebeldes.

Na segunda-feira, o presidente americano, Donald Trump, advertiu Síria, Rússia e Irão sobre uma ofensiva em Idlib, estimando que uma operação nessa região poderia provocar "uma tragédia humana".

Segundo a ONU, uma ofensiva na região poderia fazer com que 800.000 pessoas abandonem suas casas e provocar "uma catástrofe humanitária".

O conflito na Síria, que teve início em 2011, já fez mais de 350.000 mortos e milhões de deslocados.

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