A Associação de Feirantes do maior mercado informal da província angolana de Benguela questiona o paradeiro de 360 milhões de kwanzas provenientes de taxas de vendas, mas as suspeitas de desvios de fundos, que suportam um processo-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR), apontam para 900 milhões de kwanzas, soube a VOA de fontes seguras.

Guardado foi posto recentemente em liberdade provisória depois de ter cumprido um período de prisão preventiva.

Após o afastamento das chamadas brigadas de limpeza, que perderam espaço para a empresa ‘’Transmaya’’, reconhecida pela Administração Municipal como ‘’gestora exclusiva’’, o presidente da Associação de Feirantes, Gonçalves Xavier, fala em falta de transparência naquela que considera ser a maior bolsa de negócios da província.

“Esta empresa não passou por nenhum concurso público, mesmo no contrato há uma cláusula de pagamento mensal de 1 milhão e 320 mil kwanzas para o Estado. Mas eles produzem 15 milhões de kwanzas por mês, o resto vai para empresa, claro’’, acrescentou.

“O contrato é de três anos, já lá estão há dois, quer dizer que devem explicar o paradeiro de 360 milhões de kwanzas’’, concluiu.

Fontes do SIC e da Inspecção de Finanças, disseram à VOA que se forem analisados períodos anteriores, os números chegam a cerca de 900 milhões de kwanzas (quase um milhão e 600 mil dólares).

A empresa ‘’Transmaya’’, que prometeu reagir em momento oportuno quando contactada pela VOA, teve como argumento a luta contra a pandemia da Covid-19 para afastar brigadas de limpeza, que também cobravam taxas pelos seus serviços, dividindo as receitas com a Administração Municipal.

Consultado pela VOA, Carlos Guardado garante que um dia virá a público explicar o que se passa, mas deixa claro que não desviaria nunca os 900 milhões em causa.

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