No momento em que ele foi agredido, dois outros imigrantes que tentaram impedir o ataque ficaram feridos, revela o portal G1, da rede Globo.

Testemunhas afirmam que o suspeito é um auxiliar de mecânico que fugiu.

João Manuel, de 47 anos, trabalhava numa bomba de gasolina.

“Polícias militares foram acionados para atender a ocorrência e, no endereço indicado, encontraram um homem caído, com ferimentos causados por facadas. Próximos estavam dois homens, de 28 e 29 anos, também feridos”, disse a Secretaria de Segurança Pública, que confirmou que o caso foi registado no no 24º Distrito Policial (Ponte Rasa) e que investigações para encontrar o suspeito continuam.

O ataque, de acordo com a mesmas fontes, teve motivação xenófoba e ocorreu após uma discussão sobre o pagamento do auxílio-emergencial federal para imigrantes.

Os dois feridos foram encaminhados ao Hospital Ermelino Matarazzo para atendimento médico e já tiveram alta.

Em entrevista ao G1, um dos homens feridos, um imigrante que prefere não se identificar, afirma que mudou do bairro onde vivia com medo de sofrer represálias após a morte do seu colega.

Ele diz que, quando a discussão começou, ele estava a conversar com João Manuel que lhe ia emprestar 50 reais para comprar fraldas descartáveis para a filha.

“Eu queria defender o meu irmão. Foi racista, ele deixou claro que foi racismo, porque ele estava a falar que ia matar meu irmão, mas dando risada, tipo como se fosse matar um animal”, conta, acrescentando que o cidadão angolano foi atingido por três facadas no peito e morreu poucos minutos após o ataque.

“Quando a gente falou que era racismo, o brasileiro saiu com a faca e colocou a primeira vez, no peito. A gente foi defender nosso irmão e eu tentei tirar a faca da mão dele. Eu fugi do movimento da faca, mas aí ela entrou na minha barriga, do lado esquerdo. Depois ele fugiu correndo, com a faca ainda na mão”, conta o imigrante, que ficou internado no Hospital Ermelino Matarazzo, levou pontos na barriga e teve alta na noite de domingo.

“Nosso irmão não fez nada, fez nada. Ele não falou nada para morrer assim”, concluiu.

A Cidade Antônio Estêvão de Carvalho fica em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, e é conhecida por ter uma grande comunidade de imigrantes africanos, entre congoleses, angolanos e camaroneses.

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