Falando no programa “Angola Fala Só” o médico disse que os riscos da doença se fazer sentir em Angola se deve ao “extenso corredor” que existe entre Angola e a China, que levou ao estabelcimento em Angola de “uma extensa comunidade chinesa e há também muitos angolanos na China a estudar, em negócios e por outros motivos”.

Mas para o Dr. Luiele há outra razão que faz aumentar o risco.

“Todos nós conhecemos as debilidades do sistema de saúde em Angola e isso faz aumentar o risco”, acrescentou o médico para quem “tem que se levar a sério essa possibilidade de ocorrerem em Angola casos do coronavírus”.

A decisão do governo em impôr quarentena  as pessoas vindas da China “é uma medida correcta” mas acrescentou que  deveria haver uma redução dos vôos entre a China e Angola devido “às debilidades do nosso sistema de saúde”.

“Eu penso que Angola sozinha não tem condições de fazer frente ao problema”, disse Maurílio Luiele.

Durante o programa alguns ouvintes debruçaram-se também sobre  a situação do sistema de saúde em Angola e um dos ouvintes quis saber da avaliação dada pelo Dr. Luiele desse sistema desde que João Lourenço assumiu a presidência.

“Não houve progressos por aí além”, disse o médico e deputado para quem a quota do orçamento dirigida ao sector de saúde ainda é baixa.

“Há um esforço na contratação de novos profissionais mas é um esforço ainda mínimo para as reais necessidaides do sistema e das populações”, acrescentou.

Interrogado sobre se o problema nos hospitais se devia à falta de “humanização dos quadros hospitalares” ou da falta de meios, o Dr. Luiele disse que o problema nos hospitais de Angola se deve “a um desquilibrio da parte do sistema”.

“A rede  (de saúde) primária não é suficientemente funcional e isso faz com que o todo do sistema tenha que albergar tudo sem capacidade para tal”, explicou exemplificando com um hospital pediatrico de nível terciário que atende por dia acima de mil crianças.

“É evidente que os médicos não têm capacidade para fazê-lo mas têm que atender”, afirmou.

“Se a rede primária periférica fosse suficientemente funcional seriam poucos os casos que chegariam ao atendimento ao nível terciário”, acrescentou.

Para o Dr. Luiele o maior investimento que se pode fazer “é potenciar a rede primária e secundária para se impedir um fluxo enorme de doentes para a rede terciária”.

“Se a rede terciária continuar assim saturada não há humanização que seja possível”, acrescentou.

Por outro lado há um déficit em Angola de médicos e muito maior de especialistas, afirmou frisando também a questão da qualidade dos médicos a serem formados.

“Precisamos de quantidade mas temos que sobretudo garantir qualidade na formação”, afirmou.

O Dr. Luiele fez notar que em 10 anos se multiplicaram os cursos de medicina no país “mas não melhorou em nada a qualidade dos técnicos formados nessas novas universidades”.

Um ouvinte quis saber a opinião  do convidado do “Angola Fala Só” sobre a existência de clínicas privadas.

A existência de clínicas privadas está legislada, disse o médico e deputado que contudo acescentou que “é obrigação do estado garantir ao cidadão serviço de saúde de qualidade”.

“O que há de errado na situação em Angola é que as melhores clínicas são privadas e a maior parte dos cidadãos não têm acesso porque não têm capacidade financeira para suportar esses custos”, afirmou acrescentando que no sistema público deveria haver as mesmas “capacidades”.

Um ouvinte quis saber do Dr. Murílio Luiele a sua opinião como deputado da governação de João Lourenço, o deputado disse haver uma ncessidade urgente de reformas do estado e da constituição.

A actual constituição quebra a independência de orgãos do estado pelo que “há uma reforma do estado que tem que ser feita sem a qual não se vai observar mudanças profundas”.

“Sem a independência efectiva dos tribunais é óbvio que o combate à corrupção que se pretende generalizado vai continaur a ser selectivo”, disse o Dr. Luiele.

“Um combate à corrupção que se pretende e é imperioso só se pode fazer no quadro de reformas profundas do estado”, acrescentou.

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