O Presidente angolano, João Lourenço, voltou a mexer no Governo. Ângelo da Veiga Tavares saiu da tutela do Ministério do Interior para dar lugar ao antigo governador de Cabinda, Eugénio Laborinho, uma decisão que está a causar alguma polémica.

Segundo o jornalista angolano Ilídio Manuel, a transição de Eugénio Laborinho para a pasta pode significar o aumento da repressão contra manifestações independentistas.

"Tudo aponta para uma maior restrição tanto nas liberdades individuais, como nas liberdades coletivas", adverte Ilídio Manuel. "A sua passagem por Cabinda não foi auspiciosa. Aliás, Cabinda está neste momento no mapa cinzento das restrições às liberdades, sobretudo na repressão de manifestações", recorda o jornalista.

No início deste ano, mais de 70 ativistas do Movimento Independentista de Cabinda (MIC) foram detidos por tentarem organizar uma manifestação em alusão ao Tratado de Simulambuco. Alexandre Kuanga, ativista cívico de Cabinda, comenta que Eugénio Laborinho "acorrentou o território de Cabinda". "Privou todas as liberdades fundamentais que a Constituição confere aos cidadãos de Cabinda", frisa.

Sinais contraditórios

Apesar das críticas, Eugénio Laborinho terá também deixado alguns sinais positivos no enclave. Em fevereiro do ano passado, o então governador deu mostras de alguma abertura ao nomear o padre Casimiro Congo para secretário provincial da Educação, Ciência e Tecnologia e Maria Carlota Ngombe Victor Tati, esposa do deputado independente pela União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) Raul Tati, para a pasta da Saúde. Sinais contraditórios, segundo Ilídio Manuel: "Por um lado, ele dava sinais de inclusão. Por outro lado, reprimia as manifestações".

Eugénio Laborinho também já foi vice-ministro para a Proteção Civil e Bombeiros do Ministério do Interior. E, segundo o analista Ilídio Manuel, a sua passagem pelo cargo "ficou marcada pela negativa". "Justamente por causa do Monte Sumi, do caso Kalupeteka, em que houve uma brutal repressão policial", lembra.

Novas caras

O Presidente angolano também fez outras mexidas no "xadrez" político. Para além de Ângelo da Veiga Tavares, foram exonerados os ministros da Agricultura, Marcos Alexandre Nhunga, e da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca.

António Francisco de Assis foi nomeado para a tutela do Ministério da Agricultura e Florestas, enquanto Manuel Neto da Costa foi o nome escolhido para chefiar o Ministério da Economia e Planeamento. Já Júlio Marcelino Vieira Bessa é agora o novo governador da província do Cuando Cubango. Lopes Paulo foi nomeado secretário para os Assuntos Económicos do Presidente da República. Por último, Marcos Alexandre Nhunga é o novo governador da província de Cabinda.

No entanto, o ativista dos direitos humanos Alexandre Kuanga não se mostra muito otimista com este nome. "Nós não temos muitas expetativas, porque sendo ele do norte de Cabinda, onde há maior resistência, que é Maiombe, vai encontrar muitas dificuldades porque a segurança do Estado não vai criar abertura para manter o diálogo com as sensibilidades de Cabinda", defende.

O Presidente angolano não aponta os motivos das mais recentes exonerações. Porquê tantas mexidas no Executivo? "Dá a impressão que há compromissos que ele tem ao nível do partido para acomodar as mesmas figuras. São figuras que já estão marcadas muitas delas pela corrupção e má governação", conclui Ilídio Manuel.

por:content_author: Manuel Luamba (Luanda)

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