O Movimento do Protectorado Lunda Tchowke denuncia a prisão de dez ativistas pela polícia angolana em Cafunfo, no município de Cuango. Um dos presos, o ativista Henrique Manuel, teria sido infetado por uma seringa contendo veneno e encontra-se internado sob custódia policial, no Hospital de Cafunfo. Ao todo, 21 ativistas do grupo estão detidos, incluindo os que foram presos em uma manifestação que teve lugar em 17 de novembro.

Entre os presos, há três mulheres e dois adolescentes. Todos os detidos são membros do Movimento do Protectorado, que reivindica a autodeterminação do reino Lunda Tchowke. Em entrevista à DW África, o presidente do grupo, José Mateus Zecamutchima, afirma que os ativistas não se manifestavam nem realizavam atividade política quando foram presos.

"Estavam em casa. Foram encontrados em suas casas, não estavam em nenhuma atividade política. De acordo com as informações até agora, os sobas teriam coisas infundadas de dizerem que são feiticeiros, de que essas pessoas costumam enfeitiçar membros do Governo. São coisas caricatas, não é científico. São mitos. E até agora a polícia não conseguiu esclarecer porque está na cadeia, qual o crime. Não há crime”, disse.

Tentativa de envenenamento

Zecamutchima conta ainda que o ativista Henrique Manuel, infetado por uma seringa, está em recuperação no hospital, mas ainda corre perigo.

"Um grupo de indivíduos pertencentes a um núcleo do MPLA chegaram em casa do nosso membro, sem mais nem menos. Começaram a agredir o nosso membro e lhe espetaram a seringa. A polícia pode testemunhar porque a pessoa até agora está sob custódia da polícia também, mas no hospital, em tratamento. E os médicos testemunharam que tinha sido envenenado, que ele correu perigo entre a vida e a morte. Vai recuperando, mas enquanto se mantiver no hospital, significa que continua em perigo”, afirmou.

Sem diálogo

O presidente do Movimento do Protectorado não vê perspetiva para que todos os detidos sejam soltos. Zecamutchima considera as prisões arbitrárias e reclama da falta de diálogo com o Governo. Ele alega ter escrito uma carta ao Procurador-Geral da República em dezembro, pedindo a libertação dos ativistas presos no ano passado, mas que nunca obteve resposta.

"Nós continuamos a falar, a ir nos gabinetes deles a partir de Luanda para exigir conversa. Mas nunca há conversa. Estão sempre a colocar pessoas presas. E essas prisões não vão parar enquanto não houver diálogo. Para parar as prisões, o Governo deveria dignar-se a dialogar connosco. Se ele não está a dialogar, significa que as prisões vão continuar. É a forma que o Governo acha que vai intimidar o povo para recuar", disse.

Tumulto em Capenda Camulemba

Na mesma altura das prisões em Cafunfo, dez pessoas ficaram feridas, nove das quais membros das forças de defesa e segurança, em distúrbios causados por mais de 70 pessoas no município de Capenda Camulemba, na província angolana da Lunda Norte, segundo a agencia Lusa.

O incidente, informou a polícia, ocorreu na quarta-feira (27.02.) na localidade de Xamiquelengue, na barreira de contenção das forças de defesa e segurança no acesso único de entrada ao Projeto da Mina Lulo. As forças mistas compostas pela Polícia, Forças Armadas Angolanas (FAA) e Segurança privada encontram-se no local no âmbito da "Operação Transparência", que tem como um dos objetivos combater o garimpo ilegal de diamantes.

Segundo um comunicado de imprensa do comando provincial da Lunda Norte da Polícia Nacional, o grupo de populares, entre os quais se encontravam autoridades tradicionais, deslocou-se àquela localidade devido a reclamações dos autóctones sobre a falta de assistência social às comunidades, como previsto por lei. O grupo tentou entrar no Projeto da Mina Lulo e forçar a paralisação dos trabalhos, tendo sido impedido pelas forças de defesa e segurança.

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