A delegação do Ministério do Interior (MININT) da Lunda Norte condenou o ato na segunda-feira, 6, e manifestou-se “indignada”, com o que chamou de “tamanha barbaridade” cometida pelas Forças Armadas da RDC contra o seu efetivo.

Embora tenha admitido implicitamente a incursão de militares angolanos em território congolês, a nota acusou as autoridades daquele país de não terem respeitado um acordo assinado em junho passado, que “desencoraja o uso de armas de fogo entre as forças, tendo em conta a falta de sinais visíveis de delimitação da fronteira comum”.

No domingo, 5, o ministro do Interior da província de Kasai, Deller Kawino disse à AFP que “um soldado angolano disparou e feriu um agente congolês da Agência Nacional de Inteligência (ANR), os nossos homens devolveram o fogo e atingiram um soldado angolano que infelizmente morreu”.

O ministro acrescentou que antes do incidente, um grupo de soldados angolanos havia entrado no território congolês numa área de três quilómteros e um deles começou a filmar com o celular até receber ordens dos soldados da RDC para parar.

Para o sociólogo João Lukombo Nzatuzola,o fato de haver marcos pouco claros, nos mapas elaborados pela potências coloniais continuará a ser motivo de grandes tensões nas fronteiras.

Lukombo defende ponderação das partes para se evitar o retorno a conflitos militares entre os dois países.

“O incidente deve ser investigado”, defendeu.

Por seu turno,o investigador e ativista dos direitos humanos Francisco Tunga Alberto evoca razões históricas como sendo a causa por que os dois países nunca conseguiram determinar onde começam e onde terminam os marcos traçados pelos europeus, à luz da Conferência de Berlim.

Tunga Alberto defende “aintegração das autoridades tradicionais dos dois países nas discussões sobre a clarificação das duas fronteiras com vista a proteger os laços que unem os dois povos”.

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