Referindo basear-se em imagens autenticadas e relatos de vítimas e testemunhas, a organização de defesa dos direitos humanos com sede em Londres afirmou igualmente que as forças de segurança iranianas utilizaram “balas de borracha (e) gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes”, que protestavam contra o derrube de um avião ucraniano por um míssil iraniano.

Também utilizaram violência física, com “pontapés, murros ou bastonadas e fizeram prisões arbitrárias”, adianta a Amnistia Internacional (AI) em comunicado.

Após dois dias de desmentidos oficiais da tese que um míssil tinha sido disparado sobre o Boeing 737 ucraniano, as forças armadas iranianas reconheceram no sábado a sua responsabilidade, evocando um “erro humano”. As 176 pessoas a bordo, na maioria iranianos e canadianos, morreram.

Este anúncio desencadeou uma vaga de cólera no Irão e vídeos nas redes sociais mostraram manifestações com ‘slogans’ hostis às autoridades.

“É terrível que as forças de segurança esmaguem violentamente concentrações pacíficas de pessoas pedindo justiça (…) e exprimindo a sua raiva contra as autoridades”, afirmou Philip Luther, um responsável da AI para o Médio Oriente e Norte de África.

“A utilização ilegal da força nas recentes manifestações faz parte de uma longa tradição das forças de segurança iranianas”, adiantou.

No comunicado, a Amnistia dá conta de pessoas que tiveram de ser operadas para lhes serem extraídos chumbos disparados pelas forças de segurança, habitualmente utilizados para a caça e “completamente inadequados para operações de manutenção” da ordem.

A organização evoca ainda informações de que as forças de segurança tentaram transferir alguns feridos para hospitais militares.

Alguns centros médicos em Teerão recusaram admitir feridos, dizendo-lhes que os serviços de segurança os prenderiam se soubessem que eram manifestantes, adianta a AI.

“As autoridades iranianas devem acabar com a repressão imediatamente e garantir que as forças de segurança mostram a máxima contenção e respeitam os direitos de expressão e de reunião pacíficos”, disse Philip Luther.

“Os detidos devem ser protegidos da tortura e de outros maus tratos e todos os detidos de modo arbitrário devem ser libertados”, adiantou.

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