O advogado e activista angolano dos direitos humanos David Mendes confirmou à Lusa que integra a lista de candidatos da UNITA, maior partido na oposição em Angola, às próximas eleições gerais de Agosto, em lugar elegível para deputado.

"Nós não tivemos negociações nenhumas. Eu tornei público para quem acompanhou a minha intervenção na televisão que aceitaria um convite da UNITA, desde que me colocassem num lugar elegível. O presidente da UNITA fez-me o convite pessoalmente e eu acedi", disse David Mendes, advogado e líder da Associação Mãos Livres, responsável pela defesa de vários activistas que foram levados a tribunal pela Justiça angolana nos últimos anos.

De acordo com as listas da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) pelo círculo nacional, consultadas pela Lusa, o advogado figura no número 18, estando por isso num lugar elegível para deputado.

Em declarações à agência Lusa, o advogado admitiu que a UNITA se apresenta como "o partido que tem mais possibilidades reais de ser poder", sublinhando ser um "candidato independente e que se vai manter independente".

"Eu sou presidente do Partido Popular, por isso não posso entrar para um outro partido na condição de militante", explicou, admitindo que aceitou ao convite porque foi colocado "num lugar elegível".

As eleições gerais em Angola estão marcadas para 23 de Agosto e todos os partidos políticos e coligações de partidos legalmente constituídos deram já entrada das suas candidaturas no Tribunal Constitucional, que terá de validá-las.

O cabeça-de-lista da UNITA e candidato à eleição indirecta como Presidente da República é o actual presidente do partido, Isaías Samakuva, enquanto o número dois é o vice-presidente, Raul Danda.

David Mendes, um dos mais conhecidos advogados angolanos, acredita que "a UNITA cresceu muito" e que "haverá surpresas" nas próximas eleições.

"Nós vamos fazer algo novo, vamos tentar mudar o quadro político e eu acredito que a UNITA cresceu muito. Acredito que os angolanos crescerem muito e estou consciente de que haverá surpresa nas próximas eleições", sustentou.

Por isso, acrescentou: "O período exige dos actores políticos um posicionamento claro quanto à sua participação no processo".

Às eleições marcadas para 23 de Agosto não concorre o actual presidente de Angola e do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.

Lusa