Brenda Melani Chagas Fortes, mais conhecida por N´zinga Bande da capoeira, é terapeuta e tem o curso superior de Psicologia. Faz tratamentos a níveis sentimentais, emocionais,  psíquicos e medicina alternativa.

Segundo ela, a capoeira é a sua segunda profissão. Há vinte anos que treina artes marciais e já passou por diversas modalidades, tais como, o taikwondo, karaté e o kickboxing. Apaixonou-se pela capoeira em 1996 quando o ‘Mestre Camisa’ trouxe para Angola uma caravana brasileira de capoeira. Apenas com as imagens que gravaram da caravana de Camisa, decidiu então, com mais oito amigos, dar aulas de capoeira. Aos poucos foram juntando dinheiro e mandaram vir um professor do Brasil, o ‘Cascão’ e, foi assim que fundaram ao Abadá capoeira em Angola, a mais conhecida e tradicional escola de capoeira no país.

N´zinga Bande e os seus amigos foram graduados pelo Professor Cascão que depois os deixou, seguindo para Portugal.

Neste momento está com a corda verde e dá aulas na escola Abadá Capoeira. A nossa equipa foi ao encontro dela para sabermos mais sobre a sua escola e projectos para o futuro.

Sapo: Brenda, porque lhe deram o nome de N´zinga Bande?

N´zinga: Porque é uma tradição da capoeira e todos os alunos têm um nome. Isso vem desde o tempo da escravidão. Quando praticavam capoeira eles usavam alcunhas para que os capitães do mato não soubessem de quem se tratavam.

O meu mestre deu-me esse nome porque sempre fui uma guerreira e sou muito boa de ginga.

Sapo: Existe um dilema sobre a origem da capoeira. Qual a sua opinião quanto a este assunto?

N´zinga: Toda gente sabe que foram levados escravos de Angola para o Brasil, nomeadamente os de Benguela e Luanda. A nossa cultura misturou-se com a deles e, obviamente que sofreu mudanças. Portanto, algumas bases sairam de Angola, até porque encontramos vários nomes, instrumentos, músicas entre outras coiss, relacionados com o nosso país. Por exemplo, na capoeira existem quatro tipo de jogos, o Iuna, São Bento, Benguela e Angola, ou seja, claramente que as culturas se misturaram e deram origem a uma só. Foram incinerados muitos documentos relacionados com a escravidão no Brasil, e por isso só temos relatos orais sobre a questão da origem dela.

Sapo: Fale-nos um pouco da sua trajectória dentro da capoeira…

N´zinga: Bom, no princípio foi muito difícil porque não tinhamos apoio nenhum, estavamos por nossa conta, mas ao longo dos anos as coisas foram melhorando e muitas portas se abriram, porque sempre demos tudo que tinhamos para dar em nome da capoeira. Já tivemos envolvidos em muitos projectos e actividades, mas as que mais marcaram sem dúvida que foram os campeonatos de capoeira realizados em Angola e no Brasil.

Trouxemos vários trouféus para o nosso país. Um em 2001, três em  e 2003 e outros três em 2005, de campeonatos do mundo. Estamos agora a reunir forças, juntamente com a associação nacional de capoeira, para organizar um campeonato africano.

Hoje em dia trabalhamos com algumas instituições, como escolas e mistérios, porque sabem que a capoeira para além de ser um desporto saudável, é também um instrumento social. É um veículo que serve para reintegrar jovens em termos éticos, morais e cívicos e, últimamente o nosso trabalho tem sido feito nas periferias e em quase todas as províncias, porque é aí que estão os diamantes do nosso país.

Sapo: O que aprendem os jovens com a capoeira?

N´zinga: Aprendem a jogar, os golpes, os instrumentos musicais, as músicas e muito mais. Temos alunos de várias idades e todos eles passam por graduções feitas pelos Mestres Camisa ou o Mestre Cascão.

Sapo: Quais são os seus projectos para o futuro dentro desta área?

N´zinga: Temos um projecto que se chama “ Capoeira pela Vida”, em que vamos organizar  mini palestras culturais, educacionais, para reintegração dos jovens, que consiste nos seguintes temas: Prostituição infantil e juvenil; Hiv; Tóxico dependência; Preservação da vida; Cancro; Preservação da vida animal e vegetal; Respeito e amparo aos idosos.

Vamos formar jovens e estes por sua vez vão passar a mensagens para outros jovens das várias regiões do país, falando de cada tema. Estamos a pensar fazer também flyers para destribuir-mos nas rodas de capoeira e, cartazes para algumas instituições.

Sapo: Quem é o capoeirista que mais admira e porquê?

N´zinga: O mestre Camisa com certeza.  É um indivíduo que se envolve de corpo e alma aos ensinamentos da capoeira e, tornou-se uma fusão dos grandes mestres Bimba e Pastinha.

N´zinga Bande dá aulas no Centro Arnaldo Janssen, na Rua principal do Palanca, ao sábado e domingo, das 15h às 16h30m.

Telefone: 923306590.

Perfil:

Livro: Espirituais

Autor: Chico Xavier

Filme: Épicos

Atriz: Kate Blanchett

Cantor: Maria Godo

Restaurante: A minha casa

Perfume: De essências Florais

Sonho: Contribuir muito mais para as causas sociais

Fotos

Por: Mariana Rodrigues

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