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10 coisas que devemos saber sobre Nelson Mandela

27 de Março de 2012, 13:37

Nelson Mandela foi libertado há precisamente 22 anos. Um dos prisioneiros mais famosos da História saiu da prisão Victor Verster, nos arredores da Cidade do Cabo, a 11 de Fevereiro de 1990, depois de ter passado 27 anos encarcerado. Foi recebido nas ruas por milhares de pessoas. Era o princípio do fim do apartheid.

Para assinalar a data da libertação de Madiba, um dos homens que mudou a História de África, o SAPO apresenta uma lista de 10 coisas importantes que devemos saber sobre Mandela.

Símbolo da resistência ao apartheid

Mandela é um resistente por natureza. Ainda antes de lutar contra a segregação racial que se vivia em África do Sul, Mandela, enquanto estudante de Direito na Universidade de Fort Hare, participou num boicote contra as políticas universitárias. Madiba, como também é conhecido, acabou mesmo por ser expulso da universidade, em 1934. Mas a sua luta maior, e mais reconhecida, foi a oposição que exerceu contra o regime apartheid, que vigorava no seu país. Este sistema negava aos que não fossem brancos direitos políticos, sociais e económicos.

Em 1942, Nelson Mandela juntou-se ao Congresso Nacional Africano (CNA), um movimento clandestino, que lutava contra o regime baseado na discriminação racial. Dois anos depois, Mandela fundou a Liga Jovem do CNA.

Mandela tornou-se ainda mais activo politicamente depois de, em 1948, os Afrikaners (Partido Nacional), que apoiavam a política de segregação racial, terem vencido as eleições. Em 1955, Mandela fazia parte do Congresso do Povo (do CNA), que divulgou a Carta da Liberdade, documento que continha as bases da causa anti-apartheid.

Acusado de traição 

Antes da acusação de traição, Mandela já tinha sido preso. Corria o ano de 1962 e Nelson Mandela foi condenado a cinco anos de prisão, por incentivar greves e por ter, segundo a acusação, viajado ilegalmente para o exterior.
Dois anos depois foi condenado a prisão perpétua por sabotagem, crime que Mandela assumiu, e por ter traído o país, já que teria conspirado para ajudar outros países a invadirem a África do Sul. O político negou sempre esta última acusação.

Nelson Mandela tornou-se, ao longo dos 27 anos de prisão, um dos símbolos contra o regime. De tal forma, que a frase “Libertem Nelson Mandela” foi um dos lemas das campanhas anti-apartheid em vários países.

Libertação e viragem histórica

Este sábado passam 22 anos sobre a libertação de Nelson Mandela. Este acontecimento foi um marco na História da África do Sul. Mais de 50 mil pessoas receberam Mandela nas ruas da Cidade do Cabo. O sentimento era o de que a libertação significasse o fim do apartheid e o início de uma nova era.

Mandela esteve preso até ao dia 11 de Fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram fazer com que o presidente sul-africano na altura, Frederik Willem de Klerk, se decidisse pela libertação de Mandiba.

Na década anterior, a oposição contra as reformas idealizadas pelos políticos no poder ganhava cada vez mais força. Vários líderes anti-apartheid foram presos e à medida que cresciam os protestos contra o regime aumentava também a opressão e a violência contra os protestantes.

Apesar de ter sido um processo complexo, a libertação de Mandela significou mesmo o princípio do fim do regime. Em 1990, o Presidente de Klerk iniciou negociações para acabar com o apartheid. Esse processo terminaria a com a realização de eleições multirraciais e democráticas em 1994.

A presidência do CNA

Mandela era uma referência do CNA e depois de ter sido libertado tornou-se no presidente do partido, que a partir de 1990 passou a ser legal. Os ideais de paz, liberdade, fraternidade e o objectivo de promover uma reconciliação nacional que levou a cabo juntamente com o Presidente de Klerk valeram-lhe um enorme prestígio no país e no mundo.

Nelson Mandela é um dos políticos mais conhecidos e respeitados do continente africano e não só: existe uma espécie de consenso mundial no que respeita à admiração das qualidades políticas e humanas de Mandiba. A presidência do CNA permitir-lhe-ia vencer mais tarde as primeiras eleições pós-apartheid.  

O Nobel, para ele e para de Klerk

Nelson Mandela já recebeu mais de 250 prémios, foi agraciado com a Ordem de St. John, pela rainha Elizabeth II, recebeu a medalha presidencial da Liberdade do ex-presidente dos EUA, George W. Bush, a Ordem do Canadá, o prémio Embaixador de Consciência pela Amnistia Internacional e o Bharat Ratna, a mais alta distinção da Índia. Mas a honra mais importante ocorreu em 1993, quando foi galardoado, juntamente com de Klerk, com o Prémio Nobel da Paz. A Academia sueca distinguiu-o pelo seu “trabalho pelo fim pacífico do regime apartheid e por estabelecer os princípios para uma nova África do Sul democrática”.

O Primeiro Presidente negro da África do Sul

A eleição de Nelson Mandela como o primeiro Presidente negro da África do Sul é outro dos acontecimentos que fazem com que a vida de Mandela se confunda com a História daquele país. Foi no ano de 1994 que se realizou o primeiro escrutínio da África do Sul democrática. O CNA, liderado por Mandela, venceu com 60% dos votos. Mandiba desempenhou a função até 1999.

Evelyn, Winnie e Graça Machel, as mulheres da sua vida

Nelson Mandela casou-se três vezes. A primeira mulher de Mandela foi a enfermeira Evelyn Ntoko Mase, de quem se divorciou em 1957, depois de 13 anos de casamento. Passado um ano, casou-se com a também política Winnie Madikizela (na foto). Ficou com Winnie durante 38 anos, divorciando-se em 1996. Na altura foram noticiadas divergências políticas entre o casal, que terão levado à separação. No dia em que fez 80 anos, Mandela casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente moçambicano.

A luta contra a SIDA

Nelson Mandela deixou a presidência da África do Sul em 1999. A sua vida a partir daí foi dedicada a causas humanitárias e à defesa dos direitos humanos. Uma das suas maiores batalhas é a luta contra a SIDA, doença que vitimou o seu único filho.

Uma das instituições que patrocina é a organização não-governamental (ONG), 46664, uma associação de luta contra a SIDA, que tem este nome por ter sido o número de Mandela na prisão.
Aos 85 anos, em 2004, Mandela anunciou que ia retirar-se da vida pública. Os problemas de saúde e o desejo de aproveitar o tempo que lhe resta com a família foram os motivos invocados para tal decisão. Mas pouco tempo depois fez uma excepção: viajou para a Índia, onde participou na XV Conferência Internacional sobre SIDA.

Invictus, o filme que conta um pouco da intensa vida de Mandela

O filme “Invictus”, lançado em 2009, conta a vida de Mandela pouco depois de ter sido eleito Presidente. Na altura, corria o ano de 1995, Mandiba sabia que o racismo e os problemas económicos e sociais continuavam a dividir a sociedade sul-africana. Aproveitando a realização do Campeonato Mundial de Rugby no seu país, Mandela apoia fervorosamente a selecção de África do Sul, usando o deporto para passar mensagens de união e esperança. A equipa sul-africana obteve um excelente desempenho, chegando à final do torneio, que venceu, num jogo diante da Nova Zelândia. Morgan Freeman foi o actor escolhido para interpretar a personagem de Nelson Mandela, num filme realizado por Clint Eastwood.

Frases célebres de Mandela

"Sonho com o dia em que todas as pessoas levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos."

"Uma boa cabeça e um bom coração formam uma formidável combinação."

"Não há caminho fácil para a Liberdade."

"A queda da opressão foi sancionada pela humanidade, e é a maior aspiração de cada homem livre."

“Ser livre não significa apenas libertar-se das correntes mas viver de forma que respeite e envolva a liberdade dos outros.”

"A educação é a arma mais forte que você pode usar para mudar o mundo."

“Eu odeio o racismo, pois o considero uma coisa selvagem, venha ele de um negro ou de um branco.”

“Sonho com uma África em paz consigo mesma.”

“Sempre parece impossível até que seja feito.”

"A luta é a minha vida. Continuarei a lutar pela liberdade até ao fim dos meus dias."

@Hugo Maduro


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