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Portugal vê potencial do agronegócio em Cabo Verde apesar de constrangimentos (C/ÁUDIO)

14 de Março de 2013, 20:10

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Cidade da Praia, 14 mar (Lusa) - Portugal e as empresas portuguesas veem com bons olhos as potencialidades do agronegócio em Cabo Verde, apesar dos ainda muitos constrangimentos, admitidos pelo próprio Governo cabo-verdiano.

A constatação foi feita hoje à agência Lusa pelo embaixador de Portugal na Cidade da Praia, Bernardo Lucena, pela ministra do Desenvolvimento Rural cabo-verdiana, Eva Ortet, e pelo presidente da empresa portuguesa WinResources, Davide Freitas, à margem de um seminário na Cidade da Praia sobre os desafios do setor no país.

Eva Ortet lembrou as potencialidades de um setor que vai beneficiar diretamente da Agenda Verde definida pelo Governo cabo-verdiano, que prevê a construção de 17 barragens e mais de meia centena de diques e uma centena de perfurações para mobilizar água, sobretudo a das chuvas.

"Temos potencialidades enormes no agronegócio, mas o setor ainda enfrenta enormes desafios. Estamos a tentar ultrapassar o grande desafio que é a mobilização de água, fator principal, mas há ainda constrangimentos transversais, como o acesso ao financiamento, o transporte inter-ilhas, a planificação dos mercados e a liderança do setor privado para que possam entrar nas fileiras e agregar valor à produção", explicou.

Para Eva Ortet, Cabo Verde precisa de "desenvolver o associativismo e o cooperativismo, para que a agricultura seja mais competitiva" e precisa que "que o setor privado tome a liderança a jusante da produção", sublinhando ser aí a intervenção das empresas portuguesas.

"As barragens são um ponto de partida fundamental para o desenvolvimento da agricultura e do aumento da produção agrícola e agroindustrial de Cabo Verde, mas não é suficiente", alertou, por seu lado, Davide Freitas, promotor do seminário, destacando a série de valências necessárias em torno dos projetos.

Segundo o presidente da WinResources, são necessárias associações de regadores e de agricultores, fomentar o desenvolvimento agroindustrial, para não haver picos de produção e evitar escoamentos com preços baixos, e há um trabalho de organização e de sistematização em torno das barragens, que é urgente que se faça e de raiz.

"Temos o «know-how» e a capacidade demonstrada em vários países de ajudar na organização da produção, de conseguir criar modelos cooperativos modernos, juntar os agricultores em associações, fomentar parcerias entre agricultores e o industrial para que haja modelos de conservação da produção agrícola", vincou.

Davide Freitas adiantou que a WinResources, em Cabo Verde desde 2008, está a desenvolver modelos de produção para exportação e para o mercado de valor acrescentado, incorporando o marketing e comunicação, e, transversalmente, ajudar os setores primário e transformador e a comercialização e exportação dos produtos.

"O ciclo de infraestruturação já está todo planeado, com barragens, furos e diques, e isso irá alterar significativamente o panorama agrícola e do agronegócio em Cabo Verde", disse à Lusa Bernardo Lucena.

"Há muitas associações em Portugal que têm «know-how» e que podem colaborar com congéneres cabo-verdianas. É fundamental que o setor associativo se desenvolva para dar escala à produção. Na iniciativa privada há margem de manobra na produção, transformação e comercialização", explicou o diplomata português.

O seminário "Os Novos Desafios do Agronegócio em Cabo Verde", juntou dezenas de especialistas e empresários do setor já direta ou indiretamente ligados à WinResources, empresa que já organizou vários seminários no arquipélago.

JSD // JMR

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