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Rússia propõe vender aviões Sukhoi à transportadora área TAAG

14 de Novembro de 2017, 16:46

A Rússia propôs ao Governo angolano fornecer aeronaves Sukhoi Superjet 100, de transporte de passageiros, à companhia aérea estatal TAAG, informou hoje o Ministério para o Desenvolvimento do Extremo Oriente russo.

A proposta, divulgada no portal oficial daquele ministério na internet, foi feita durante a visita realizada na segunda-feira, a Luanda, por uma vasta delegação do Governo russo, liderada pelo vice-primeiro-ministro Yuri Trutnev, para reforço da cooperação bilateral.

O ministério liderado Alexander Galushka recorda que a TAAG opera em Angola com aeronaves Boeing 737-700, 777-200 e 777-300 e que esta proposta de venda de aeronaves civis foi mesmo a "principal questão discutida" durante as reuniões em Luanda com o Governo angolano.

"O lado russo acredita que, para as condições de Angola, a melhor opção é a aeronave Sukhoi Superjet 100, de médio alcance, e propôs iniciar negociações com a TAAG para um programa SSJ100, com um horizonte de fornecimento antecipado em 2019-2021", refere a mesma informação daquele ministério, consultada hoje pela Lusa.

O SSJ100 é um avião bimotor a jato fabricado pela empresa russa Sukhoi Civil Aircraft Company, que pode transportar até 98 passageiros e que conta com uma autonomia de quase 4.000 quilómetros.

A transportadora aérea angolana TAAG prevê que o serviço doméstico, ligando Luanda a 13 das 18 províncias, possa dar lucro a partir de 2020, necessitando para tal de adequar a frota a essas ligações.

A posição foi assumida no final de outubro, à agência Lusa, por Rui Carreira, coordenador adjunto da comissão de gestão que administra a TAAG - Linhas Aéreas de Angola, após a saída da Emirates, que em julho último terminou o contrato de gestão da transportadora angolana que vigorava desde 2014.

"Faz parte do nosso plano de negócios mudar a frota, para essas cidades mais próximas de Luanda. Porque estes 737-700 [Boeing] não são para pequeno curso, são ideais para três horas de voo. Para estes voos de meia hora não são os mais adequados", explicou Rui Carreira, um antigo piloto de caça da Força Área Angolana, agora na administração da TAAG.

"O negócio doméstico não é rentável em todos os destinos. Temos Cabinda, Saurimo e Catumbela como destinos bons, mas a TAAG tem de cumprir o serviço público, naturalmente", acrescentou.

Estas ligações domésticas, realizadas apenas com aviões de grande porte, não são lucrativas para a TAAG, situação que a companhia pretende reverter com a introdução de aviões mais pequenos, turboélice, para os destinos mais próximos de Luanda.

"Com a adequação da frota, nós pensamos chegar muito próximo do ‘breakeven point’ [custos iguais às receitas] no serviço doméstico, se calhar até entrar nos lucros. Vamos pensar talvez em 2019 ou 2020. Mas teremos que adequar a nossa frota aos destinos os quais voamos", apontou Rui Carreira.

A frota da TAAG é composta por 13 aviões Boeing, três dos quais 777-300 ER, com mais de 290 lugares e recebidos entre 2014 e 2016. Conta ainda com cinco 777-200, de 235 lugares, e outros cinco 737-700, com capacidade para 120 passageiros, estes utilizados para as ligações domésticas e regionais.

Lusa