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Chefe da diplomacia da RDCongo em Angola para estudar regresso de refugiados

19 de Maio de 2017, 15:49

Os Governos de Angola e da República Democrática do Congo (RDCongo) estão a estudar soluções para o regresso às suas zonas de origem de cerca de 30.000 refugiados congoleses que procuraram segurança em território angolano nas últimas semanas.

A informação foi hoje avançada pelo chefe da diplomacia da RDCongo no final da audiência concedida pelo vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente, na qual foi abordada a situação política e de segurança naquele país, que tem causado um grande número de refugiados.

Leonare Oshintudu disse que durante o encontro foi igualmente passada em revista a cooperação bilateral entre os dois países, e essencialmente a situação dos refugiados que continuam a chegar a Angola.

"Estamos a estudar, entre as duas partes, como podemos encontrar soluções para que essa população, que fugiu das suas zonas de origem, possa retomar as suas habitações na RDCongo", referiu.

Em causa estão conflitos étnico-políticos no Kasai e Kasai Central, na RDC, que desde meados de 2016, já provocaram, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), um milhão de deslocados, 30.000 dos quais fugiram para Angola, através da província da Lunda Norte, desde Abril.

O igualmente vice-primeiro-ministro da RDCongo avançou que as eleições naquele país, com o qual Angola partilha uma vasta fronteira, deverão ocorrer no final deste ano, "se não houver qualquer percalço".

"Estamos a trabalhar no espírito do acordo que foi assinado no dia 31 de Dezembro do ano passado, e já temos uma entidade advinda da oposição, que já está à cabeça da composição da Comissão Nacional de Acompanhamento, este está a trabalhar conjuntamente com as outras organizações e a Comissão Nacional Eleitoral, para se programar ou se seguir o que estava programado para as eleições no final deste ano se possível", disse.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chikoti, disse que neste momento o que preocupa o Governo angolano é a situação dos refugiados que se encontram nas províncias angolanas da Lunda Norte e Lunda Sul.

Segundo Georges Chikoti, o Governo angolano mobilizou a comissão interministerial, que passou a semana passada na Lunda Norte, para se oferecer aos refugiados "as melhores condições de recepção, alimentação e de tratamento", já que há pessoas a chegarem feridas e "alguns ferimentos bastante graves".

"Estamos a preparar-nos agora para partirmos para a Lunda Norte, para o meu colega poder ter a oportunidade de ver os seus compatriotas que cá estão e para ver que a dimensão do problema é bastante mais ampla e séria do que eventualmente se esteja a pensar", informou.

Georges Chikoti lembrou que Angola emitiu há uma semana um comunicado sobre a situação na RDCongo, "porque é necessário que haja um maior envolvimento da comunidade internacional, mas também um maior acompanhamento e engajamento das autoridades da RDCongo em termos da reposição da paz, da estabilidade, naquela região".

O governante angolano sublinhou que os refugiados estão a ser "bem acolhidos pela parte angolana", realçando que esta semana as autoridades estão a proceder à sua transferência da zona fronteiriça para regiões mais no interior de Angola, como estabelecem as regras internacionais.

"A norma internacional prevê que eles estejam pelo menos 50 quilómetros no território angolano, mas isso implica [outros esforços], Angola mobilizou meios de transporte, alimentação, tendas para essas pessoas serem acomodadas, como também tivemos que mobilizar medicamentos para assistir às pessoas que vêm feridas", referiu.

O ministro da Assistência e Reinserção Social de Angola, Gonçalves Muanduma, que visitou esta semana os centros de acolhimento dos refugiados nas duas províncias angolanas, classificou como "bastante preocupante, triste e terrível mesmo" a situação.

"Estamos muito preocupados com o que acabamos de ver, estamos aqui a visitar com o governador da província, o representante do ACNUR e, coincidentemente, acabam de chegar cerca de 200 cidadãos e a situação é difícil, uns com feridas, bebés, crianças, todas assustadas, é uma situação bastante preocupante", lamentou.

 

Lusa