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Ministra do Ambiente preocupada com poluição automóvel em Luanda

20 de Abril de 2017, 17:10

A ministra do Ambiente de Angola, Fátima Jardim, alertou hoje para o elevado valor que a poluição com gases emitidos por viaturas automóveis está a gerar em Luanda, admitindo preocupação com as consequências para a saúde pública.

A governante discursava em Viana, arredores de Luanda, no primeiro Fórum Económico sobre Cidades Sustentáveis, realizado no âmbito da 33.ª Assembleia-Geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), que se realizou na quarta-feira, na capital angolana.

De acordo com Fátima Jardim, o Governo angolano está a implementar, em conjunto com entidades especializadas e universidades, um plano de monitorização das emissões poluentes em Luanda, daí as primeiras conclusões apresentadas.

"O tráfego automóvel em Luanda emite cerca de 390 microgramas [de vários gases poluentes que não especificou] por metro cúbico [de ar], o que já se revela, naturalmente, uma preocupação com impacto na saúde pública dos cidadãos", apontou.

Numa província com quase sete milhões de habitantes e várias dificuldades de mobilidade, com falta de alternativas, a ministra enfatizou a importância de reforçar a rede e eficácia do transporte público, um dos vectores do novo Plano Director Metropolitano de Luanda.

"Que está a transformar Luanda numa cidade sustentável e que é um exemplo de conjugação de políticas centrais e locais", comentou, recordando que 67% da população da capital já tem acesso a água tratada (domicílio e fontanários), mas que em cada 10 agregados familiares cinco ainda depositam o lixo ao ar livre.

O Fórum Económico sobre Cidades Sustentáveis foi organizado em parceria entre a UCCLA e a Associação Empresarial de Luanda (AEL), entidade que passou a integrar, desde quarta-feira, aquela organização, juntando assim 41 cidades e mais de 40 empresas e outros organismos de países de língua portuguesa.

Para Francisco Viana, presidente da AEL, a realização deste fórum, juntando autarcas - entre os quais das Câmaras de Lisboa, Cascais e Almada -, empresários e associações, permite um primeiro contacto para promover projetos em comum, nomeadamente futuras parcerias público-privadas.

Já Vítor Ramalho, secretário-geral da UCCLA, admitiu que este encontro, com cerca de 200 convidados e em que mereceu destaque a intervenção do director do Centro de Apoio Empresarial de Macau (IPIM), Lei Chi António, sobre o posicionamento daquele território como porta para negócios entre os países lusófonos e a China, representa um primeiro passo na vertente da promoção económica das cidades que integram a organização.

"Se hoje falamos em cidades inteligentes é porque se fizeram cidades estúpidas ao longo de todos estes anos, e falo sobre aquilo que conheço melhor, que é o meu país. Estúpidas porque viraram as costas aos cidadãos, privilegiando o carro sobre o peão, o condómino sobre o vizinho, a grande superfície sobre o comércio de rua", criticou, na sua intervenção, o presidente da Câmara de Cascais.

Carlos Carreiras desenvolveu neste fórum o tema do financiamento das autarquias, no modelo português, e defendeu que a visão para as cidades inteligentes é uma oportunidade de voltar a colocar "as pessoas como prioridade" e com uma colaboração mais próxima entre o modelo local e o Estado central.

"As cidades inteligentes oferecem-nos a oportunidade de criar novas fontes de rendimento para as cidades e para os cidadãos e sobretudo de voltarmos a princípios essenciais da gestão da polis, com a vantagem de termos a tecnologia do nosso lado, para fazermos coisas que nunca foram feitas", concluiu o autarca de Cascais.

 

Lusa